Por Eduardo Louro
Vitor Bento entrou para o Banco de Portugal, por convite, em 1980. Durante 20 anos foi lá, ou a partir de lá, que fez a sua vida. Como tantos outros - algumas dezenas - ia ocupando altos cargos do aparelho de Estado e regressando ao porto de abrigo. Em 2000 pediu licença sem vencimento - o que não foi impedimento para continuar a ser promovido, por mérito... - para ir dirigir a SIBS, entre outras coisas a sociedade gestora do Multibanco, donde, como se sabe saiu para a liderança pós Ricardo Salgado do BES.
Feitas as contas, e com a perspectiva de longa vida naquelas funções, pediu a reforma antecipada - coisa, como se sabe, vedada ao comum dos portugueses - do Banco de Portugal, que o governador, Carlos Costa, aprovou de imediato.
Entretanto o BES passou a Novo Banco e o que era a perspectiva de funções tipo Duracel rapidamente passou para tipo pilhas das lojas de chineses. Vítor Bento não gostou e veio-se embora!
Foi então que se lembrou que não tinha tido tempo de assinar os papéis que Carlos Costa tinha despachado sobre a sua reforma. E que não seriam as férias que lhe dariam agora esse tempo... Regressado de férias, apresentou-se às portas do Banco de Portugal. Para assinar os papéis da reforma, estará o leitor a pensar... Enganou-se. Apenas e tão só para regressar a um lugar que tinha deixado há 14 anos, e ocupar as funções a que entretanto, e sem lá estar, fora promovido... Para regressar a um lugar que por direito é seu!
É tão fácil declarar extintos os direitos adquiridos. E mandar empreender... E acusar toda a gente de viver acima das possibilidades... E apontar o dedo aos preguiçosos que se habituaram a viver à sombra do Estado... E é tão bom ser liberal!
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