terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Entretanto, na Irlanda...

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Surpreendendo toda a gente, e até a eles próprios, o Sinn Féin ("nós próprios" na tradução do irlandês) chegou a ser dado como vencedor das eleições do passado fim de semana na República. No fim, contas finais e oficiais, ficou com 37 dos 160 lugares do Parlamento, menos 1 que o Fianna Fáil (Soldados do Destino, centro-direita), e mais 2 que o Fine Gael (Família Irlandesa, liberal), do primeiro-ministro Varadkar.


O Sinn Féin é um dos movimentos políticos mais antigos da Irlanda. Vem do início do século passado, e é, por isso, comum às duas Irlandas. Foi o braço político do IRA, o famoso Exército Republicano Irlandês dos atentados terroristas da segunda metade do século XX, e que, de um lado e do outro da fronteira que fez de Theresa May a primeira víitma do brexit, pugna pela unificação irlandesa. E é de esquerda, centro-esquerda, mais precisamente.


Temos dos irlandeses a ideia de excessivamente conservadores e fortemente condicionados pela religião católica. Liberais na economia e no funcionamento do Estado, e profundamente conservadores nos valores, mesmo que o primeiro-ministro ainda em funções, que perdeu as eleições, seja de origem imigrante (também de origem indiana) e homossexual. Daí que a duplicação do resultado eleitoral do Sinn Féin tenha surpreendido toda a gente. Incluindo eles próprios, que apenas tinham concorrido em alguns círculos eleitorais. Se tivessem apresentado candidaturas em todo o país, e projectando os resultados obtidos onde se apresentaram a votos, teriam alcançado condições para governar sozinhos.


Há quem diga que nada disto tem a ver com o brexit. Pode não ter, mas se não tiver a bota não joga com a perdigota. E a verdade é que vai lá dar... Se a um novo referendo sobre a independência da Escócia se juntar o espectro da reunificação política da ilha sob a bandeira da República, isso é brexit


 

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