Para se estrearem no campeonato, os jogadores do Benfica entraram no campo do Estrela da Amadora com a estranha dupla tarefa de cuidar da relva e jogar à bola. Deram prioridade à primeira, a que lançaram mãos logo no período de aquecimento. Em vez dos exercícios habituais de aquecimento os jogadores fizeram movimentos de calcanhar, a acalcar a relva, e abominais, a levantar e voltar a colocar pedaços de relva.
Que se disputem jogos de futebol em campos destes é apenas uma das muitas bizarrias desta Liga de Futebol Profissional!
Claro que, depois, não ficou fácil aos jogadores do Benfica jogar à bola. Passaram o tempo com um olho no burro e outro no cigano: um olho na relva e outro na bola. Para os jogadores do Estrela não fazia grande diferença. Só precisavam da relva para se deitarem, a bola andava pelo ar.
E o jogo não saiu disto, com o Benfica incapaz - impossibilitado - de jogar o que pode e sabe, e com o Estrela da Amadora a jogar com as armas que tem, incluindo aquele relvado, e a impor as condições em que teria de ser disputado. Percebeu-se tudo isso desde o apito inicial do árbitro Hélder Carvalho, também ele um velho conhecido para os lados da Luz, com a entrada forte do Estrela, que se prolongou pelos 10 minutos iniciais.
A partir daí o Benfica passou a ter a bola, a construir o possível, e a justificar o golo. Que poderia ter surgido ainda antes do primeiro quarto de hora, num penálti que nem o árbitro nem o VAR quiseram assinalar. Porque ver, viram. Toda a gente viu o defesa do Estrela atropelar Otamendi, e impedi-lo de cabecear a bola para a baliza. Eles não poderiam ter deixado de ver.
Logo a seguir poderia ter surgido no remate de Dahl, a rasar o poste direito do Renan. Ou no desvio, de calcanhar, de Pavlidis, ao cruzamento/remate de Aursenes. Ou no remate de Richard Ríos, que Ivanovic, à pivot de futsal, lhe preparou. Ou quando, já nos minutos finais, Luan Patrick, um dos três centrais do Estrela, se lançou a tempo de desviar para cima da barra o remate, de golo cantado, de Schjelderup.
Mas também é certo que, por uma ou duas vezes, o golo poderia ter surgido para os amadorenses.
A segunda parte só foi diferente porque foi pior para o Benfica. Uma grande oportunidade - mentirosa - logo no arranque daria o mote. Mentirosa porque nasceu de um fora de jogo mal assinalado a Dahl, de uma falta mal assinalada a Otamendi, no corte do respectivo livre, e acabou na recarga - a um disparate de Trubin - falhada, em fora de jogo.
Logo a seguir a esse lance mentiroso, e quando o Estrela esteva por cima, surgiu o penálti - desta vez o árbitro viu o empurrão a Ivanovic - com que Pavlidis estabeleceria o resultado final. Depois disso, do golo, apenas por duas vezes o Benfica criou reais condições de voltar a marcar, já à entrada do último quarto de hora. Na última, a remate de Ivanovic, o Renan fez a defesa do jogo.
Tudo o resto só deu Estrela. E Benfica a pôr-se a jeito, a ficar a mercê da sorte e do azar. Normalmente, quando se deixam as coisas nesse campo, corre mal. Hoje não foi assim. Aquele chapéu de Kikas, já depois dos 90, a aproveitar mais um erro, perfeitamente evitável, de Dedic e António Silva, só não levou dois pontos mesmo por sorte.
Esta é claramente a pior exibição do Benfica da época. Tem atenuantes, mas a forma como a equipa se pôs a jeito dos imponderáveis é preocupante.
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