terça-feira, 12 de agosto de 2025

Uma questão de tempos

Dupla norueguesa faz estragos e Benfica vence Nice por 2-0. Segue-se o Fenerbahçe de Mourinho


O Nice entrou a todo o gás, não tanto como se não houvesse amanhã, mas como se não houvesse mais jogo. E pareceu que não era mal visto, que tinham razão.


De facto o Benfica não estava ali para lhe dar muito mais tempo. A equipa francesa fez bem em aproveitar aqueles primeiros três a quatro minutos iniciais, porque não teve nem tempo nem oportunidade para mais.


A partir daí o Benfica passou a dominar o jogo a seu bel prazer, com um futebol variado e vistoso, com oportunidades de golo e com golos. Deu gosto ver. Ora em lançamentos à distância, ora em construção e em tabelas, o Benfica destruía por completo a organização defensiva dos rapazes que vieram da Côte d´Azur. O resto era asfixia pura, com recuperações de bola logo à saída de bola, em cima da grande área adversária. Tudo isto sem uma falta - na primeira parte, com quase 70% de posse de bola - o Benfica não fez uma única falta. Nove a zero em faltas, ganhava o Nice!


Os golos, os dois da primeira parte, limitaram-se a certificar dois momentos que ilustram a exuberância do jogo benfiquista. O primeiro, ainda na primeira metade do primeiro tempo, tem a emoldurá-lo um passe longo de Enzo, a lançar Schjelderup, no lado esquerdo, uma recepção espectacular do miúdo norueguês, no peito, assistência para a recepção orientada de Aursnes, a deixar batido o defesa adversário, para o remate com o pé contrário. O segundo culmina uma extraordinária jogada colectiva (mais de vinte toques na bola), concluída com Dedic a partir para cima de dois adversários, junto à linha final para, de calcanhar, deixar a bola para trás para, de primeira, agora ao contrário, Aursenes  assistir Schjelderup que, de primeira, atirou para a baliza.


Tudo perfeito! No primeiro golo, teria de ser assim, como foi. Se Aursenes tivesse rematado de primeira, o defesa adversário teria bloqueado o remate (como fizeram tantas vezes!). No segundo, se não tivesse rematado de primeira, o guarda-redes teria tido tempo de lá chegar.


A segunda parte foi vítima da primeira. Os jogadores vieram dos balneários com alguma - diria que bastante - displicência. Não tinha de ser assim, nem é tolerável que volte a ser assim, mas sabemos que isso acontece frequentemente em circunstâncias destas. 


Os primeiros 10 minutos foram francamente maus, e o Nice aproveitou para pressionar e ter bola. Mas só isso, sem qualquer perigo para a baliza de Trubin.  Mas sabe-se como é frequentemente difícil reverter este estado de coisas. Bruno Lage pensou fazê-lo com as substituições, mas antes delas, aos 63 minutos, já as coisas estavam a mudar. Quando Ivanovic, Enzo e Schjelderup saíram, já o mote da viragem tinha sido dado pelo remate à barra do jovem norueguês.


O Benfica voltou ao comando do jogo, e a criar situações para marcar. Mas, em vez do futebol associativo da primeira parte, agora mais através de acções individuais, especialmente de Prestianni. Depois passou a deixar correr o jogo, que manteve sob total controlo. Já em puro modo de controlo ainda entraram Henrique Araújo e, depois, Akturkoglu, este para o aplauso a Aursenes, o melhor em campo. Mas não só, também para garantir que ficasse impedido de jogar pelo Fernerbaçe, de Mourinho, o adversário (de respeito) no play-off que se segue. Foi como matar dois coelhos de uma só cajadada: fica disponível para fechar o negócio com os turcos, evitando que se pudesse gorar, e garantido que não poderá repetir o que, há uns anos, em 2020, em tempo de Covid, Živković fez ao marcar o golo do PAOK, então de Abel Ferreira, que nos eliminou nesta terceira pré-eliminatória da Champions.

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