Convidado: Luís Fialho de Almeida
Pai, a vida é outra coisa!
A vida não é o que dizias
Quando te interrogava.
A vida não se faz de princípios,
Dogmas e muita fé.
Pai, a vida é outra coisa!
É pragmática, é a causa próxima,
Sem o enfeite dos espíritos.
Mas sei que logo dirias
Que a bondade sublime é avaliada Além...
Que a atitude dos homens é julgada pela Justiça Divina.
Pai, aqui a bondade não ajuda.
É a prestabilidade mercantil que ajuda os homens.
O valor do homem é um valor de mercado,
O mercado, aqui, é outra divindade
Que não se questiona nem se perturba.
Mas é profana, dirias...
E a sua justiça é parcial,
Feita de recursos e prescrições.
E acessível. É coisa de dinheiro,
E o dinheiro não salva as pessoas...
Pai, a vida é outra coisa
E o dinheiro salva e liberta.
E como a salvação é previlégio só de alguns
Tudo se faz para tirar o dinheiro a muitos.
Aqui não há essa coisa etérea
Do julgamento moral.
Pai, os sonhos foram contigo.
Aqui, os sonhos são outra coisa,
Estão povoados de medo e incerteza.
O medo é outra realidade,
E a vida é outra coisa!
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