quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Como é natural nestas coisas o rótulo de piegas que Passos Coelho quis colar aos portugueses não é lido da mesma forma por toda a gente. Os mais indefectíveis da costela  liberal não pouparam esforços na lavagem, numa competição de fazer inveja aos publicitários do branco mais branco não há. Um gigantesco estendal onde se disputava o título do mais branco entre aquela brancura toda…


Só que tudo aquilo está muito amarelecido. Todos utilizaram detergentes de marca branca!


Os mais despachados na tarefa do branqueamento baseavam-se no local, no ambiente. Aquilo era dito numa escola, perante crianças – dadas por natureza, e cada vez mais, á pieguice – a quem se deve incutir um espírito proactivo, incentivar os valores do trabalho e da determinação e, ao invés, denunciar a passividade e a preguiça.


Amarelo. Amarelo bem escuro! Visto e revisto o vídeo, fica claro que aquela incursão pela pieguice está fora daquele contexto, que aquela mensagem não é dirigida àquela plateia que tem pela frente mas um recado ao país. Não se destina àquelas crianças, mas aos lamechas dos portugueses que se andam por aí a queixar sem nenhuma razão de queixa!


Essas peças, tão amarelecidas que estavam, foram sendo retiradas do estendal. Já poucas se vêm por lá…


Outros, porventura menos apressados, recorreram a uma técnica mais rebuscada e resolveram utilizar a própria pieguice como detergente. Piegas e lamechas, como Pedro Lomba hoje no Público (na impossibilidade de link para o jornal, fica o link para uma reprodução no Corta Fitas), dizem que outros, noutras alturas, disseram exactamente o mesmo sem que ninguém lhes saltasse em cima. Que não sei quando Jorge Sampaio disse exactamente o mesmo. Que até Sócrates, elogiara os agricultores do Oeste que não se tinham ficado pelas lamúrias quando as suas estufas foram destruídas por aquele mini-tornado de há uns dois anos.


Só que a esses tudo é perdoado! O pobre do primeiro-ministro é atacado quando se limita a fazer constatações que, feitas pelos outros a quem tudo se perdoa, são elogiadas e exaltadas.


Amarelo, de novo. E essa nunca branqueará!


Jorge Sampaio – numa altura em que, como hoje, é simplesmente ex-presidente da república - disse que Portugal precisava "uma iniciativa privada que não esteja sempre com lamúrias". E, noutra circunstância, terá repetido La Palisse, ao dizer que "não é com lamúrias e braços caídos que se resolvem os problemas". Sócrates elogiou os agricultores por não ficarem na lamúria”, nada que, como é óbvio e evidente, se compare, quer na forma quer na substância, com o discurso piegas do actual primeiro-ministro. Para além do pequeno pormenor do contexto!


Vamos a ver se há mais tentativas. Com estas não vão lá…

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