terça-feira, 10 de junho de 2025

10 de Junho - um pontapé no bafio

Biblioteca Escolar - Agrupamento de Escolas da Trafaria: Dia de Portugal


Foi o décimo, e último, discurso do Presidente Marcelo no 10 de Junho, desta vez em Lagos, onde  condecorou Ramalho Eanes com o grande-colar da Ordem Militar de Avis, a mais alta condecoração do Estado reservada a militares.


O discurso soou a fim de ciclo. Foi curto, mas ainda assim sem fugir a banalidades, redondas (“Ser português é ser universal. Temos uma forma singular de estar no mundo”,  "Não há quem possa dizer quem é mais puro e português do que qualquer outro"), e pouco interessantes. Mais banal e menos interessante porque se sucedeu imediatamente ao notável e disruptivo discurso de Lídia Jorge, a escritora e Conselheira de Estado que presidiu às comemorações.


Falou de Lagos como ponto de partida para a epopeia que Camões cantou, mas também como ponto de chegada da indignidade. De onde partiram marinheiros à descoberta de novos mundos, mas onde chegaram homens roubados da sua dimensão humana.


"Sobre este areais aconteceram acontecimentos decisivos para o mundo" - disse, incluindo neles a escravatura, exportada para o mundo a partir precisamente dali. Em tempos de ódio ao estrangeiro como os que vivemos, Lídia Jorge lembrou partes esquecidas da nossa História. E lembrou  que "em pleno século XVII cerca de 10% da população portuguesa teria origem africana – população que os portugueses tinham trazido arrastados”.


Citou Shakespeare, Camões e Cervantes, “três autores perceberam bem que, em dado momento, é possível que figuras enlouquecidas, emergidas do campo da psicopatologia, assaltem o poder e subvertam todas as regras da boa convivência”. Num "poder demente aliado ao triunfalismo tecnológico", que faz dos cidadãos apenas "público que assiste a espectáculos em ecrãs de bolso" resignados à condição "de seguidores" de "ídolos fantasmas”.


Que pontapé no bafio, Lídia Jorge!


 


 

3 comentários:

  1. Simplificando» Dia da Portugalidade ou da Lusofonia também serve ou parecido..

    ResponderEliminar
  2. Não haverá problema. Para o ano serão 500000 meio milhão, de soldados, a marchar, pela Avenida da Liberdade com 250 tanques, durante 15 horas, para agradar ao novo Supremo líder: André Ventura. No Terreiro, do Paço, estarão 3000 membros, dos partidos de esquerda (40-50 do PSD-CDS), que serão executados, de 20 maneiras diferentes, pelo crime de "Corrupção social, à Pátria Portuguesa". E 9 milhões, de portugueses, irão bater palmas... enquanto recebe, o IMI, a subir para 140 vezes mais, do que pagam, este mês, que descobrem que, para votarem, em 2030, terão de pagar 250000 euros, ao Ministério da Cidadania, para lhe ser emitida a "Licença de eleitor federado". Sem ela, não pode votar, não pode comparecer em eventos, políticos (sobre penas, até 2000 anos de trabalho, para o estado, não remunerado) ou sociais. Até para ir, a um evento desportivo, será preciso esse cartão, antes de pagar 500 euros, ao banco, para poder adquirir aqueles ingressos (aproveitando, a lei actual, em que a banca quer saber, qual é o emprego, e remuneração, de cada cliente, para lhe enviar, propostas comerciais).
    Gouveia e Melo, António José Seguro e Marques Mendes, estarão, no grupo de 3000, condenados, por 90000000000000 perfis online, que votarão a favor, da pena de morte, para cada. E o povo baterá palmas, como os proprietários, festejaram, o contrato, com o gang das raposas, para cuidarem, dos galinheiros, em troca delas entregarem, todos, os ovos recolhidos. No final, os proprietários acabaram a trabalhar, para as raposas, a cuidar da terra e engordar a comida, do gang.

    ResponderEliminar
  3. Rocha é calhau? Certo.

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...