quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Quem com ferros mata...*

Resultado de imagem para greve dos motoristas de materiais perigosos


 


O país está à beira da anunciada greve dos motoristas dos transportes de mercadorias, que deveria replicar, com mais impacto ainda, a do passado mês de Abril. Pelo que se vai percebendo é muito baixa a probabilidade de ser evitada...


As greves são sempre impopulares, mas esta é-o ainda mais, como toda a gente percebe. Destinam-se a fazer valer reivindicações e, como tal, quanto mais impacto tiverem maior é o seu poder reivindicativo. Quando uma greve não provocar danos, ou não produzir desconforto, deixa de fazer sentido.


Acresce que, formalmente, ninguém questiona o direito à greve. É tido por direito fundamental dos trabalhadores, e a greve a principal arma de que dispõem quando os conflitos esgotaram as vias do diálogo e da negociação. O seu uso, como o de qualquer arma, poderá ser desproporcional.


É o que se diz desta que aí vem, convocada por sindicatos que saem fora do sindicalismo clássico, dito orgânico, de aqui falei há bem pouco tempo.


Como se esta greve não fosse já suficientemente impopular, o poder político tratou de lhe agravar a escala, fazendo-a passar de impopular a intolerável. Tratou, de resto, de fazer o mesmo do que foram acusados os promotores da greve: usar a proximidade das eleições.


Fazer frente a uma greve impopular é, obviamente - até por definição - popular. Em cima das eleições tudo o que seja popular é ouro. É oportunidade imperdível.


Por isso o governo deitou fora qualquer tipo de pudor e, em jeito de início de conversa, tratou de transformar serviços mínimos em praticamente serviços máximos, abafando por completo um direito que continua a dar por fundamental e sagrado. E vamos ver o que ainda falta ver…


Por cima de toda esta hipocrisia lá vem o velho ditado: “quem com ferros mata, com ferros morre”. Uma greve que quis matar com a proximidade das eleições, acabará morta pela proximidade das eleições.


As condições de trabalho e os salários destes trabalhadores, parte integrante da fileira de um dos mais produtivos e rentáveis sectores da economia nacional, que gera e distribui milhões por todo o lado, e em especial pelo Estado, e a forma como aqui se chegou, é outra coisa. E fica para a próxima.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

7 comentários:

  1. Sobre esta greve, reitero: uma greve é um direito que se invoca quando falham todas as outras ferramentas. Estes sindicatos saltaram procedimentos e, pior, exigem em meses aquilo que durante anos silenciaram.

    É como dizes, uma posição de força tomada no embalo das eleições sufoca por ser uma posição de força à boleia das eleições.

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  2. Hoje já vi filas em todos os postos por onde passei. Já grandes. Estamos a meio de Agosto, há muitos a partir para férias no fim-de-semana, outros tantos a regressar. É uma das alturas do ano onde se fazem mais quilómetros.
    Pelo que percebi, os jerrycans esgotaram. As pessoas estão a precaver-se. Quem tiver um citadino de baixa cilindrada e um jerrycan aguenta bem até ao final do mês. Mais, mesmo. O problema são os serviços onde se gasta um depósito por dia - no fundo, a distribuição de quase tudo o que consumimos. Veremos o que falta primeiro.
    Esta greve, para ter impacto, terá de ser longa. Mês e meio, dois meses. Eu já não me fio nos camionistas - afinal, na última greve cantaram vitória e já estão em greve outra vez. No Natal repetem a graça.
    Felizmente o nosso emérito Presidente tem o carro atestado. Eu nem sabia que era ele quem atestava o carro oficial, mas parece que sim. Espero que também leve uns paios e uns melões quando for tranquilamente de férias - no dia 12. Era uma vez, como se dizia dantes, antes das histórias da carochinha. Não sei é se vamos ser muito felizes para sempre.

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  3. Sempre previdente, o nosso Presidente!
    É para rimar...

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  4. Tudo muito feio, e o debate ainda mais: o SIMM nem sequer apresentou propostas...

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  5. É um querido, chegou da viagem e foi atestar o carro. E depois foi para a Alemanha e assim que lá chegou foi atestar o avião. É um infiltrado do sindicato das matérias perigosas.

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