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O Benfica regressou à Luz, como o público, mesmo que apenas com um terço da lotação, para concluir, com sucesso, a passagem ao play-off de apuramento para a Champions.
Vinha de Moscovo com um confortável resultado de 2-0, que permitia alguma tranquilidade, mais suportada ainda pelas fragilidades do adversário evidenciadas no primeiro jogo, e confirmadas hoje. A equipa de Rui Vitória mostrou sempre menos do que se esperava, o que talvez explique as dificuldades que o antigo treinador do Benfica está visivelmente a atravessar.
A superioridade que a equipa do Benfica patenteara já em Moscovo, e que hoje, mesmo sem uma exibição completamente afirmativa, confirmou, não é por isso nada que galvanize. Foi uma superioridade que tem de ser encarada com bastante relativismo. Até porque o desempenho da equipa, mesmo perante um adversário de evidente fragilidade, não é de todo convincente, como hoje voltou a poder constatar-se.
A posse de bola, a níveis de 70%, não se traduz em finalização. É uma posse estéril, como já vinha da época passada, aquela que hoje pudemos presenciar. Na primeira parte, nem um remate à baliza, e na verdade, e ao contrário dos dois últimos jogos, incluindo por isso o de Moscovo, nem sequer houve problemas de eficácia, de desperdício de oportunidades. Os dois golos de hoje nem foram apenas mais que as oportunidades, foram até mais que os remates à baliza!
É um futebol sem presença na área, e sem gente na grande área é difícil marcar golos. Há sempre a hipótese do remate de meia distância, mas também isso não é um ponto forte do futebol da equipa. No jogo de hoje apenas por uma ocasião concentrou dois ou mais jogadores naquela zona de definição; só que nessa ocasião ela estava cheia de jogadores adversários, que não deixavam espaço por onde a bola passar.
Os golos, de João Mário (o primeiro ao serviço do Benfica), já à beira do fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, e o auto-golo que saiu de um remate de Yaremchuk (que substituiu Gonçalo Ramos na parte final do jogo), já no período de compensação, são, de resto, ilustrativos de tudo isso. Falta intensidade, a defender e a atacar. Apenas em Rafa, de novo o melhor, seguido de João Mário, é possível identificá-la. E faltam variações de ritmo e de soluções de abordagem ao jogo, acabando por se tornar num futebol repetitivo e estereotipado.
Ao contrário do que possa parecer, o entusiasmo que nasceu em Moscovo não encontrou hoje razões para crescer. Tudo fica agora adiado para o paly-off, com o PSV que, esse sim, está a entusiasmar. Os seus adeptos, e não só!
As dificuldades agora aumentam, e com elas a expectativa sobre a capacidade de resposta da equipa à maior exigência a que vai ser sujeita. E, provavelmente sem Vertonghen - mais um lesão neste início de época -, com o regresso à defesa a quatro, depois de, pela primeira vez, se ter visto a equipa jogar realmente com três defesas
Já se percebeu que o "meinho" está bem trabalhado, agora convinha recordar aos jogadores que há balizas...
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