sábado, 21 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não há vitórias morais. A jovem selecção portuguesa acaba derrotada pela do Brasil por 3-2. Mas também não se deverá dizer, desta vez, que o segundo lugar é o primeiro dos últimos.


 Nem uma arbitragem que chegou a ter momentos deploráveis, designadamente ao distribuir injustificadamente amarelos pelos portugueses enquanto permitia todo o tipo de entradas violentas aos brasileiros, que condicionaram claramente o jogo, e de que a lesão de Cedric é apenas um exemplo, nem o facto de perdermos com um golo resultante de um cruzamento falhado, já na parte final do prolongamento, aliviam o amargo desta derrota.


Mas esta selecção merece que não lhe poupemos nos aplausos.


É uma selecção nacional atípica. Como vi escrito algures “há coisas que não batem certo nesta selecção”!


De facto assim é. A começar pelo seleccionador que, trabalhando jovens, não é um treinador jovem. Como os que estão na moda e como os que tradicionalmente trabalham as selecções jovens: treinadores em início de carreira e/ou acomodados na estrutura federativa. Se não me engano, desde Peres Bandeira, no longínquo ano de 1979 e no longínquo Japão, que nesta selecção de sub 20 se não via um treinador, não direi veterano, mas sénior. E que também não é um treinador mediático, daqueles que gostam das grandes exibições nas conferências de imprensa e de grandes parangonas nos jornais. Pelo contrário, é um treinador de low profile, com toda a carreira feita nos escalões de formação, no caso ao serviço do Porto, e com grande competência.


Competência que se começa logo a notar no próprio estilo de jogo que a equipa apresentou neste campeonato do mundo. E aqui está mais uma coisa que não bate certo: o estilo de jogo desta equipa não tem nada a ver com o estilo português. Não é um futebol rendilhado e curto, sustentado por extremos rápidos e habilidosos. Mas é um futebol rápido e vertical, muitas vezes de passes longos. Que usa para estender o jogo e o campo e que são mesmo passes e não pontapés para a frente, nada do kick and rush britânico. Passes difíceis de executar que nada têm a ver com aquele passe curtinho, sem risco, que tanto vemos no tradicional futebol português.


Também não tem um 10, o jogador que joga de cabeça levantada e pensador do jogo. Não, tem jogadores humildes e operários que tapam espaços mas que também os sabem ocupar. E, the last not the least, tem um ponta de lança corpulento – Nelson Oliveira, de 1,86 metros e 83 quilos – mas muito rápido e que sabe jogar à bola. E a sério, de alto nível técnico!


Não será uma geração de ouro mas, como lhe chama o seu timoneiro – Ilídio Vale – a geração de coragem. Uma equipa solidária, com grande força mental e adulta, coisas que, como se sabe, são raras no nosso futebol!

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