Hoje na Luz, cheia, o Benfica, com o onze habitual, realizou uma grande exibição, na primeira parte do jogo, frente aos dinamarqueses do Aahrus - uma equipa eliminada da fase de apuramento da Champions -, para a primeira mão do "play-off" de acesso à Liga Europa.
A segunda parte foi diferente - já lá vamos - mas, mesmo que sejam as últimas imagens a perdurar, não nos podemos esquecer daquela primeira parte.
Aí, o Benfica apresentou um futebol que dá gosto ver. Rápido, pressionante, e de um enorme caudal ofensivo. O primeiro golo surgiu logo ao segundo minuto, em resultado de uma excelente jogada de futebol, com envolvimento pela direita, culminado com um centro de Bah, e da pressão colocada em jogo, com o golo (de Rafa, o melhor em campo) a surgir apenas ao terceiro remate, com os dois primeiros defendidos em cima da linha de golo.
A partir daí seguiu-se uma enxurrada de futebol, de oportunidades de golo, e de defesas extraordinárias do guarda-redes dinamarquês. Só à meia hora o Benfica lograria o segundo, na sequência de um canto (foram seis, na primeira parte), por Barreiro. A cena repetiu-se, foi na garra que Barreiro encostou ao segundo poste, já depois de a bola ter mostrado intenções de não querer entrar.
O terceiro foi de Pavlidis, de pênalti. Muito bem marcado, e tirado a ferros. Porque já um tinha sido sonegado, e porque, no lance anterior, Rafa tinha sido derrubado dentro da área no momento do remate, e o árbitro italiano marcou ... canto. Porque, no canto, a bola foi desviada com a mão, e o árbitro nada assinalou. Porque, finalmente, foi chamado pelo VAR, e não teve como não assinalar o pênalti.
Antes, numa perda de bola no ataque de Langelet, mas também com bastante sorte nos ressaltos, o Aarhus marcou, por sinal num belo remate, à entrada da área, no único que fez baliza. Onde é que já vimos isso? Tantas vezes!
Ficava assim feito o resultado. Uma mentira do tamanho do mundo!
O Benfica fez na primeira parte 21 remates (contra 2 dos dinamarqueses). O guarda-redes Mads Hedenstad fez sete defesas. Cinco de de golo certo: Rafa (14 e 27 minutos), Prestianni (19 e 29), e Pavlidis (41). Para além destas grandes oportunidades de golo, o Benfica teve mais três anuladas por defesas dinamarqueses: Pavilidis (11 minutos), Sudakov (13) e Lengelet (37).
A segunda parte foi diferente. Bastante. A equipa dinamarquesa apareceu diferente, e o Benfica sentiu mais dificuldades para se adaptar às novas exigências do adversário. Construiu oportunidades de golo suficientes para dar outra expressão ao resultado, especialmente no último quarto de hora, quando os adeptos voltaram a puxar pela equipa, para que melhorasse o resultado. Fez "apenas" 10 remates, e dispôs de, pelo menos, quatro boas oportunidades, por Rios (75 minutos), Schjelderup e Dahl (78 e 90 minutos, de novo com grandes defesas de Mads HedenstadI) e Duran (90+2). Todos, à excepção de Dahl, entrados perto do último quarto de hora.
O Aarhus foi na segunda parte uma equipa muito mais defensiva, mais vertical e muito mais física. Com alguma violência, até. A estatística volta a confirmá-lo: a posse de bola do Benfica subiu de 65%, ao intervalo, para 71%; e as faltas, que na primeira parte (tem que se dar o desconto ao desastrado árbitro italiano) tinham sido de cinco para o Benfica, e apenas duas para os dinamarqueses, passaram para 10 e 17, respectivamente.
Mas, é verdade, o futebol do Benfica nunca teve o mesmo brilho.
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