O ciclismo é assim. Nunca nada é definitivo!
Pogaçar, líder incontestável, e incontestado, sofreu hoje uma queda e está fora da competição. A 30 quilómetros do fim da oitava etapa, Pogaçar foi derrotado, à traição, pelo imponderável.
Enric Mas assumiu a liderança. Num assomo de dignidade, numa dimensão ética que só o ciclismo tem, na cerimónia do final da etapa, não vestiu a camisola vermelha. Ela não lhe pertencia!
No final das três semanas, em Granada, alguém vai chegar em primeiro lugar. Provavelmente o mesmo Enric Mas. E seria a primeira vitória numa grande volta, como é agora primeira vez que veste o símbolo da liderança. Ou Roglic, e seria a ressurreição do esloveno, mas seria, acima de tudo, e contra todas as expectativas, a inédita quinta vitória na Vuelta, deixando de emparceirar com as quatro do espanhol Roberto Heras. Ou Felix Gall, o austríaco que sai bem nos contra-relógios. Mas que, aos 28 anos, não tem qualquer vitória digna de registo.
Mas, e por muito injusto que então pareça, ninguém se sentirá com direito àquela camisola. Ela era de Pogaçar. Que assim ficará sem conseguir juntar a Vuelta ao Giro, e aos cinco Tours.
Haverá maior competitividade. Ninguém duvida. Mas o ciclismo é também um espectáculo!
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