terça-feira, 23 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Os dois maiores partidos portugueses, que invariavelmente nos têm governado desde que há eleições livres em Portugal, vivem uma relação inimaginável há bem pouco tempo. Não se pode falar em casamento (até porque seria entre entidades do mesmo género, o que levantaria sérios problemas ao Presidente da República) porque não há papéis assinados, mas poderá falar-se de união de facto. De conveniência, bem entendido.


Mas o mais significativo dos sinais exteriores harmonia conjugal, de fazer inveja a qualquer casal que já dobrou as bodas de prata, vem da Comissão de Inquérito Parlamentar ao chamado negócio PT/TVI. Que não servia para nada (como não serviu), como eu referia aqui pouco depois do seu nascimento.


O PSD de Manuela Ferreira Leite, que arrancou com a comissão, pretendia que dela resultasse uma espécie de impeachment ao primeiro-ministro: a conclusão de que mentira ao parlamento, que sustentaria uma moção de censura. O PSD de Pedro Passos Coelho, que nem queria ouvir falar em mentir, tratou de usar Mota Amaral para deixar Pacheco Pereira a falar sozinho em mentiras e verdades inconvenientes.


Apenas Pacheco Pereira concluiu que o primeiro-ministro mentiu ao parlamento. O relatório oficial conclui que o primeiro-ministro sabia do negócio quando disse no parlamento que o desconhecia. Mas não conclui que mentiu, o que é extraordinário.

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