
É por demais evidente o desgaste de António Costa nesta sua primeira, mas já relativamente longa, experiência governativa.
António Costa era apresentado como um político arguto, mas sensato; pragmático, mas intransigente nos valores. Eram atributos que o distinguiam de outros políticos, e que lhe garantiam à partida um substancial prazo de validade política, capaz de lhe garantir dois governos de legislatura e uma candidatura presidencial bem sucedida, logo que Marcelo Rebelo de Sousa fechasse os seus mandatos.
Os principais traços desse quadro começaram a desfazer-se, e hoje pouca gente acreditará que esta legislatura chegue ao fim, e que António Costa possa sair incólume dessa queda, e em condições de entrar na fila para Belém em 2025.
Acontece muitas vezes as contas saírem furadas. Há em tudo uma certa dose de imprevisibilidade, e muitas vezes basta um incidente, um acontecimento fortuito, qualquer coisa de incontrolável, para fazer ruir todos os projectos, por mais bem construídos que estejam. Há sorte e azar!
Não terá sido o que aconteceu com António Costa. Não lhe aconteceram grandes imponderáveis. Nem aconteceu nada como em 2017. E também não foi a pandemia. Foram as escolhas de António Costa a partir das legislativas de 2019. Foi uma certa soberba.
E hoje está sozinho e esgotado. Gasto e agastado. E com pouco rumo, a dizer e a desdizer-se. Trocando a argúcia e pelo chico-espertismo, e a sensatez pelo taticismo errático.
A "estória" do telefonema a Cristine Lagarde é uma boa imagem de tudo isso!
Ele pode estar gasto e agastado mas olhe que as sondagens o colocam à frente de toda a direita.
ResponderEliminarO único que está a capitalizar votos é o cata-vento do Ventura.
Não sei se neste momento insistir na crítica fácil é mais útil do que apresentar alternativas sérias e credíveis.
De joelhos esmolando na porta do PCP, que de forma decisiva condiciona a governação do País, deixando Costa atordoado encostado às cordas numa situação de um humilhante pedido de esmola e de indigente dependência.
ResponderEliminarCom Marcelo a passar o testemunho de cata-vento a Ventura entrará em modo desnorteado.
As sondagens não impedem a análise. A análise sustenta-se em factos. E os factos são que António Costa tem de se desdobrar a cobrir todos os flancos, e quando assim acontece ficam quase todos destapados. E depois fica a ver-se que ora, sem auditoria, não sai mais dinheiro para o Novo Banco ora, a seguir, tem que se cumprir os contratos sem questionar. Mas é só um exemplo.
ResponderEliminarTem razão, mas se ele apesar de todas as asneiras continua à frente, qual é a alternativa?
ResponderEliminarÉ uma boa pergunta, mas isso é outra história.
ResponderEliminar"De joelhos esmolando na porta do PCP, que de forma decisiva condiciona a governação do País,"
ResponderEliminarA governação é sempre condicionada por partidos, mesmo por aqueles de que não gostamos. Esmolando? Se o PSD se junta ao CDS para governaram, chama-se coligação. Ou qualquer outra coisa sem conotações negativas. Se for o Chega, como no caso dos Açores, que palavras utilizar? Se o PS precisa do PCP já se utiliza um apalavra depreciativa. Se solicitasse o apoio do PSD que palavras utilizar?
O seu comentário não é análise, é sim propaganda política a favor dos partidos de que gosta viu do regime de que gosta (talvez sem partidos, não?). O que eu estou a fazer também é propaganda mas com um sentido diverso: eu acho que a governação deve ser sempre condicionada (direi mesmo executada) por partidos. Os partidos não esmolam, os partidos coligam-se e fazem acordos. O objectivo é conseguir apoio suficiente na Assembleia da República.
Espero que não me diga (como alguns dizem) que deveria ter governado o Governo de Passos Coelho porque a PaF teve mais votos. Ou seja, quem diz isso, acha que o Governo deveria exercer funções mesmo sem apoio parlamentar!! Isto é, deveria borrifar-se para as votações na Assembleia da república.