A obstinação do PCP em realizações que produzam ondas de choque na sociedade portuguesa só é comparável à obsessão pelo vírus e pelo contágio em gente para quem nunca há problema nenhum, o uso obrigatório de máscara é uma palhaçada e para quem o vírus não passa até de uma invenção, de um "esfriamento", ou de uma "gripezinha".
A não ser no 1º de Maio, na festa do Avante, ou no congresso do PCP ... Aí é que não há dúvida que há mesmo vírus. E altamente contagioso!
Custa-me a perceber uma coisa e a outra. Custa-me a perceber que o PCP não perceba que essa obstinação só cria dificuldades - ao próprio partido, e aos outros - sem resolver nada de essencial. Que é um custo sem proveito. E custa-me a perceber que, à custa dessa obstinação, desse braço de ferro com a realidade, tenha reduzido para metade (a seiscentos) os delegados ao Congresso, colocando provavelmente em causa a eficácia do acontecimento. E certamente a representatividade democrática dos militantes. Mesmo que possamos desconfiar que isso não constitua ali motivo de preocupação maior...
Também me custa a perceber o "milagre" da conversão dos negacionistas que provoca. Como é que gente descrente passa tão depressa a tão fanáticos praticantes... Mas para isso deve haver explicação.
Estou de acordo consigo. Só não percebo por que não houve nenhum clamor mediático com a reunião de muitas centenas de pessoas da cultura no Campo Pequeno, há poucos dias, em recinto fechado. E porque a projectada reunião do Chega para a mesma ocasião do Congresso do PCP também não desenadeou ainda nenhum clamor, tendo até o André Ventura a lata de vir propor a alteração da lei para se proibir o dito Congresso. O viés político está por demais à vista, mas nada como ter o monopólio da voz para falar sem ter resposta! Repito, o PCP, mesmo tendo a lei do seu lado, devia ter vergonha de insistir. Mas façam dele o diabo, sopara entalar o Costa.
ResponderEliminarComo é evidente: “...não façam dele o diabo...”. E ..”só para...”
ResponderEliminarA mim custa-me a perceber que, muito embora consignado na lei, o PCP insista na realização de um congresso quando outros têm limitações ao número de pessoas que podem estar presentes num funeral, num casamento, numa aglomeração na via pública, estão sob recolher obrigatório e se vêem impedidos de circular depois das 13 h ao fim-de-semana. Por onde pára o bom senso e a equidade?
ResponderEliminarCusta-me também a perceber que, com a evidência científica, e também empírica já na nossa posse, se continue a insistir no uso de máscara. Deixo aqui dois artigos científicos recentes sobre máscaras, cujos excertos dedico aos fiéis, aos crentes e a todos aqueles que não fazem habitualmente pesquisa bibliográfica.
"Nonpharmaceutical Measures for Pandemic Influenza in Nonhealthcare Settings—Personal Protective and Environmental Measures"
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7181938/
Excerto: «Although mechanistic studies support the potential effect of hand hygiene or face masks, evidence from 14 randomized controlled trials of these measures did not support a substantial effect on transmission of laboratory-confirmed influenza.»
"Effectiveness of personal protective measures in reducing pandemic influenza transmission: A systematic review and meta-analysis"
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28487207/
Excerto: «Meta-analyses suggest that (...) facemask use provided a non-significant protective effect (...).»
Se assim não fosse, na Suécia, na Noruega e na Estónia, que nunca impuseram o uso de máscara, os números de infectados e de óbitos por milhão de habitantes seriam muito superiores aos dos países onde o seu uso é obrigatório, como Portugal, Espanha, Itália, França, RU, República Checa, etc..
Acontece que é precisamente ao contrário: nos países onde a máscara é obrigatória é onde há mais infectados e óbitos, como pode ver-se, por exemplo, nos relatórios semanais do ECDC: https://covid19-country-overviews.ecdc.europa.eu/
Mais: a Itália impôs o uso obrigatório de máscara na rua logo no início de Outubro e verifica-se que a taxa diária de testes positivos só agora parou de crescer.
E porque razão na Suécia, na Bielorrússia, na Estónia e na Noruega, todos sem nunca terem imposto o uso de máscara e os três primeiros sem quaisquer confinamentos e com escolas básicas sempre abertas, a dita segunda vaga aparece difusa e quase irrelevante?
Vejam-se estas imagens (colhidas no worldometers) de gráficos de mortalidade diária:
http://prntscr.com/voqj8h (Suécia)
http://prntscr.com/voqjze (Bielorrússia)
http://prntscr.com/voqkok (Estónia)
http://prntscr.com/voql6i (Noruega)
Trata-se, obviamente, de uma pergunta retórica.
A Suécia o quê? A Suécia tem 689 mortes por milhão de habitantes e Portugal tem 456 mortes por milhão de habitantes... Acho que tem que voltar à primária para aprender a colocar os sinais de "menor" e de "maior" no sítio correcto. E pelo caminho pode comparar a Suécia com os países vizinhos, todos eles com taxas de mortalidade muito mais baixas. A política sueca de combate à Covid-19 foi uma política ASSASSINA e se você a defende pode mudar-se para lá e ficar infectado!
ResponderEliminarPorque lhe terá passado despercebida, volto a repetir a questão:
ResponderEliminar«E porque razão na Suécia, na Bielorrússia, na Estónia e na Noruega, todos sem nunca terem imposto o uso de máscara e os três primeiros sem quaisquer confinamentos e com escolas básicas sempre abertas, a dita segunda vaga aparece difusa e quase irrelevante?»
E agora até dou pistas. Começando pela evidência científica que aponta para o facto de 20% - 60% da população apresentar imunidade cruzada ao SARS-Cov-2 e dos já infectados apresentarem também imunidade, ambas conferidas pelas células T, de acordo com "Targets of T Cell Responses to SARS-CoV-2 Coronavirus in Humans with COVID-19 Disease and Unexposed Individuals" e "SARS-CoV-2-specific T cell immunity in cases of COVID-19 and SARS, and uninfected controls", entre outros, e acabando no recente artigo "Infection fatality rate of COVID-19 inferred from seroprevalence data", publicado no Bulletin of the World Health Organization.
E o que nos diz este último artigo científico? Algo como isto:
«Across 51 locations, the median COVID-19 infection fatality rate was 0.27% (corrected 0.23%): the rate was 0.09% in locations with COVID-19 population mortality rates less than the global average (<118 deaths/million), 0.20% in locations with 118–500 COVID-19 deaths/million people and 0.57% in locations with >500 COVID-19 deaths/million people. In people <70 years, infection fatality rates ranged from 0.00% to 0.31% with crude and corrected medians of 0.05%.»
E também:
« If one could sample equally from all locations globally, the median infection fatality rate might be even substantially lower than the 0.23% observed in my analysis. COVID-19 has a very steep age gradient for risk of death [80]. Moreover, many, and in some cases most, deaths in European countries that have had large numbers of cases and deaths [81] and in the USA [82] occurred in nursing homes. Locations with many nursing home deaths may have high estimates of the infection fatality rate, but the infection fatality rate would still be low among nonelderly, non-debilitated people.»
Na Suécia, 70% dos óbitos ocorreram em lares de idosos, alguns com cerca de 600 residentes. Em Portugal, essa percentagem rondará os 40%. É só consultar as referências bibliográficas constantes dos excertos anteriores. Não obstante, na Suécia, com escolas básicas e intermédias sempre abertas, sem confinamentos e sem máscaras, o valor da média móvel de 7 dias de óbitos diários relativo a 2/12/2020 é de 17 e em Portugal esse valor é de 74, ambos os países com idêntico número de habitantes.
Mantendo-se estes valores, para simplificar, por favor calcule-me quantos dias serão necessários para que o número de óbitos por milhão de habitantes em Portugal ultrapasse o correspondente sueco, que eu tenho «que voltar à primária para aprender a colocar os sinais de "menor" e de "maior" no sítio correcto.»