Luís Neves possivelmente era um bom polícia. De qualquer Polícia. Acredito que sim, pelo que conheço das séries da televisão. Só por isso, é essa a minha referência. Ele encaixa nos protagonistas dessas séries da especialidade. Duro, ar de quem leva tudo à frente, métodos simples e directos, desenrascado, e ardiloso. Um tipo que gosta de "fazer as coisas à sua maneira".
Se isso é suficiente para ser um bom polícia, e para o senso comum é, Luís Neves seria certamente um bom polícia.
Nunca seria um bom ministro. Não para o senso comum, mas para o senso político.
Salta à vista que ele aspirava a esse título. De ministro. Por ventura por vaidade. A vaidade cabe sempre no perfil do bom polícia. Lá chegado não se sujeitaria a protocolos. Deixaria de lado as formalidades, e tenderia "a fazer as coisas à sua maneira".
Ele é um polícia. Não é um político. Pensa, e age, como um polícia.
Montenegro não percebeu isto. Por ventura terá agora percebido por que não se pode passar de director da Polícia Judiciária a Ministro da Administração Interna. Agora, que Luís Neves perdeu as estribeiras, fazendo de actos públicos sessões de própria defesa, e dinamitando a ambiguidade política do governo, tanto do gosto de Montenegro, encostou-o inexoravelmente à parede.
"Nada me impedirá de governar, nada me vai afastar daquilo para que aceitei este cargo". Quem o disse foi o polícia, que manda o primeiro ministro às urtigas. Não foi o ministro, cujo cargo está nas mãos do chefe do governo!
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