A etapa de hoje do Tour, véspera do último dia de descanso, a 15ª, entre Champagnole e o desafiante Plateau de Soloaison, toda ela de alta montanha, fica a marcar esta edição do Tour. Não pelas incidências, que foram muitas, mas pela queda, e abandono, de Vingegaard.
Foi a primeira vez que Vingegaard abandou uma grande corrida, em toda a carreira. Era segundo à geral, e já estava provado que não seria desta que fazia sombra a Pogaçar, que já tinha vencido quatro etapas nesta edição. A última das quais ontem mesmo, depois de mais uma demonstração de categoria ímpar. Mas Vingegaard era o melhor dos outros, era garantia de competitividade, e preparava uma surpresa qualquer para hoje. Não sabemos qual, nem se resultava. Mas que preparava uma surpresa qualquer percebia-se do envolvimento da equipa na corrida. Foi sempre a Visma a trazer a corrida, a endurecê-la, e esperava-se qualquer coisa na abordagem á última subida do dia, a terrível escalada ao Plateau de Soloaison.
A poucos quilómetros do início da subida, a cerca de cinco, num entroncamento, mas feito ao contrário, em sentido inverso, o próprio Vingegaard toca no lancil e provoca a sua queda, e a de mais uns tantos corredores, da frente do pelotão, entre os quais Isaac del Toro.
O pelotão começava a encurtar a distância para a fuga, de 24 ciclistas, definida por volta do quilómetro 100 da etapa. Os da frente abrandaram - onde se incluía Pogaçar, o primeiro a escapar à queda - à espera do dinamarquês, mas logo se percebeu que a queda obrigava ao abandono, com a chegada da ambulância que o recolhia, com a clavícula fracturada.
Pogaçar indagou do estado dos colegas de equipa atingidos e, depois de concluir que o mexicano se aguentava, reiniciou a perseguição à fuga, donde tinha saído toda a equipa da Visma. Nessa perseguição, encabeçada por Pogaçar, Isaac del Toro e Evenepoel, que não parava de ganhar tempo, rapidamente as principais figuras da classificação geral ficavam para trás, distribuindo-se por vários grupos.
O trio foi escalando a montanha, e engolindo fugitivos, com Pogaçar a não querer atacar, e a manter um ritmo que o colega de equipa aguentasse. Queria claramente dar a vitória a del Toro, como tinha feito na segunda etapa. Pela primeira vez - creio que, se não é caso único, é muito raro - um camisola amarela rebocava um grupo.
Evenepoel, a fazer uma corrida extraordinária, que não se julgava ao seu alcance naquele terreno, não descolava dos dois da Emirates. Na recta da meta Pogaçar disse a del Toro para atacar. Por duas vezes. E o mexicano atacou. Mas, ou não tinha forças para tanto, ou estava limitado pela queda.
Esgotadas as tentativas, Evenepoel atacou e deixou Isaac del Toro apeado. E foi para a meta. Creio - é essa a minha leitura - que Pogaçar, depois de ver o colega batido, respondeu ao belga, mas não sprintou. Para não estragar o que tinha feito, e humilhar o seu colega. Pogaçar sabe que tem mais etapas para ganhar!
Porque tem. É inantigível!
Agora, Evenpoel subiu ao segundo lugar da classificação, lugar que certamente reforçará no contra-relógio de terça-feira. E Isaac del Toro é terceiro. Mas com Paul Seixas a 25 segundos. E Lipowitz a 50. E Ayuso a apenas mais 12.
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