A Espanha é campeã do mundo. Outra vez!
Num jogo de futebol cheio de "americanices", com longos minutos de espetáculo de trazer por casa, antes, durante - com um intervalo gigantesco, cheio de generalidades -, e depois, com Trump na tribuna como um imperador romano, a Espanha controlou a bola e o ritmo do tango. Foi melhor - muito melhor - e foi um justo vencedor.
Foi melhor na primeira parte, com pouca qualidade e emoção, e muito melhor à medida que o jogo avançava. Na segunda parte, e no prolongamento.
A Argentina foi o que já tinha sido no jogo das meias finais. Remetida ao seu meio campo, só a defender e sem expressão atacante, com Messi distante do jogo e da bola. E com muita quezília, confusão, malandrice e mesmo violência, que aumentava proporcionalmente com o tempo de jogo. Se no início de jogo ainda o foi conseguindo discutir com argumentos futebolísticos, à medida que o jogo avançava ia perdendo esses argumentos e ganhando outros.
Depois, quando sofreu o golo de Ferran Torres, como na meia final com a Inglaterra, começou a jogar à bola, e a equipa deu conta que tinha Messi. Só que foi bem mais tarde que no outro jogo, já na segunda parte do prolongamento, e a equipa já tinha perdido Enzo Fernandez, e jogava com dez. Como de resto poderia ter perdido alguns mais - Paredes, entrado ao intervalo, não se sabe se para dar ligação à equipa, se para lhe aumentar a (má) agressividade, poderia (e deveria) ter sido igualmente expulso -, tal foi a atitude provocadora da equipa.
A Argentina não rematou, até sofrer o golo. A Espanha fê-lo por vinte vezes. Rematou por duas vezes, depois. Com perigo, em ambas. Se bem que desenquadradas com a baliza. A Espanha teve dez remates enquadrados, muitos deles com grandes defesas de Emiliano Martinez.
É incompreensível esta maneira de a selecção argentina de se diminuir. É um autêntico haraquiri. Quem tem Messi - e alguns outros grandes jogadores - não pode fazer isto, porque isso é eliminá-los do jogo. Só não é entregar o ouro ao bandido, porque os bandidos, os maus da fita, são eles próprios.
A Espanha arrecadou a grande maioria dos prémios individuais do campeonato do mundo: melhor jogador (Rodri), melhor jovem, Cubarsi, melhor guarda-redes (Unai Simon). Só lhe faltou o de melhor marcador, porque nesse não há lugar a subjectividade - golos marcados. E esses são os 10 de Mbappé.
Tenho alguma dificuldade em compreender que um guarda-redes que, em todo o campeonato do mundo, só tem que defender 10 remates, os únicos que em oito jogos fizeram à baliza espanhola, seja considerado o melhor. Mas se o critério for o do guarda-redes menos batido (1 golo sofrido), não me posso queixar de subjectividade ...
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