terça-feira, 21 de junho de 2011

UM (FALSO) SUSPIRO DE ALÍVIO

Por Eduardo Louro


 


O parlamento grego acabou de aprovar a moção de confiança que o remodelado governo de George Papandreou decidiu apresentar como forma de entreter a dramática crise que assola o país e ameaça a Europa. Especialmente a do Sul e, ainda mais especialmente, nós portugueses!


O governo grego dispõe de uma maioria parlamentar assegurada pelo Partido Socialista (PASOK) do primeiro-ministro Papandreou, não está dependente de qualquer coligação instável.


Poderemos tentar descortinar algumas vantagens desta moção de censura, mas não vai ser fácil encontrá-las. Não refrescou qualquer legitimidade parlamentar – até porque toda a oposição votou contra – porque a aprovação resultou da óbvia disciplina partidária. Teria por objectivo levar uma mensagem – essa sim de legitimação - para a agitada rua grega, na antecâmara de mais um programa de austeridade - o quinto - a lembrar-nos os nossos PECs, que se sucederam ao mesmo ritmo. Só que serviu também para vermos essa mesma rua - 200 mil pessoas – a cercar o parlamento. Se o destino era a rua ficou demonstrado que não foi eficaz!


A ansiedade que se quis fazer passar, o suspense, ou mesmo o medo, que se pretendeu criar em torno da dúvida sobre a aprovação da moção de confiança era falso: não tinha razão se ser. O medo e a ansiedade justificam-se sim porque a rua não vai dar tréguas e os problemas gregos não se resolvem com moções de confiança. Daí o que suspiro de alívio com que recebemos a notícia da aprovação da moção soe a falso!


 


 

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