Não. Vingegaard e Pogacar não fizeram o mesmo tempo no contra-relógio de hoje, desta 16ª etapa. Nem nada que se parecesse. Para surpresa geral, e até do próprio, Vingegaard deu uma verdadeira coça a Pogacar. E, apesar da etapa de amanhã, tida como a mais difícil da prova, com quatro subidas em alta montanha e de longa quilometragem, e da penúltima, no sábado ser também de alta montanha, deverá ter garantido a segunda vitória consecutiva no Tour, à custa de Pogacar.
Os Pirinéus e os Alpes mostraram que, em corrida, eles não se largam. Por eles, porque são, de longe, os dois melhores, e pelas respectivas equipas, também elas as melhores. Se assim foi, mais táctica menos táctica, mais estratégia menos estratégia, não é previsível que assim deixe de ser nessas duas etapas.
Por isso, o minuto e trinta e oito que Vingegaard hoje ganhou, a somar aos 10 segundos que trazia de vantagem, são mais que suficientes para lhe garantir desde já a vitória em Paris, no domingo. É que seriam necessários muitos, dos poucos segundos que têm feito a diferença entre eles, para anular o 1´48´´ que agora os separa.
Não era um contra-relógio qualquer, este de hoje. Eram pouco mais de 22 quilómetros, mas terríveis. Logo à partida a subida do Côte des Soudans, com 1,3 quilómetros com uma pendente média de 8,8%. Depois da descida, seguida por um curto traçado plano, a subida ao Côte de Domancy, mais longa (2,5 km) e mais íngreme (9,4% de média), com muitos espaços com inclinações superiores a 11%. Para terminar, mais 3,5 quilómetros para subir até à meta, em Combloux, com uma inclinação média de 5%.
Alguns (poucos) ciclistas optaram por trocar a bicicleta de contra-relógio pela normal, de corrida, no início da segunda subida, a do Côte de Domancy. Pogacar tinha anunciado ser essa a sua estratégia.
Dado que os tempos de subida contavam para a pontuação da montanha, perceber-se-ia que isso servisse aos mais interessados nessa classificação, como era o caso de Gicone. Percebeu-se, pelos poucos que ao longo do contra-relógio trocaram de bicicleta, que a operação não se fazia em menos de 10 segundos, que facilmente passariam a 30 contando o tempo para recuperar o ritmo.
Quando Pogacar fez a troca - e foi o único dos 10 primeiros a fazê-lo - já trazia uma desvantagem próxima de 1 minuto para Vinguegard. No fim, perderia 1:38. Sabe-se que continuou a perder, e que, objectivamente, não ganhou nada com isso. Mas não se sabe é se ainda teria perdido mais se não o tivesse feito.
Chegou à meta colado ao jovem espanhol Joaquim Rodriguez, o terceiro da geral que tinha partido 2 minutos antes, e batendo em quase 1 minuto o melhor tempo até então, os 35´27´´do sensacional Wout van Aert, provavelmente o corredor mais espectacular deste Tour. Mas quase à vista de um Vinguegard "de outro mundo".
Nas contas do pódio Adam Yates trocou com Carlos Rodriguez, e é agora terceiro, já quase a 9 minutos do líder. Mas com escassos 5 segundos de vantagem sobre o jovem espanhol da Ineos que, face ao trabalho que o espera na ajuda a Pogacar, terá dificuldade em segurar.
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