Dois apontamentos picantes a quebrar a monotonia destes chatos dias invernosos de Abril. O primeiro foi a intervenção de dois jovens que interromperam a festa de aniversário do Partido Socialista, um disputando o púlpito e o microfone com António Costa, e outro, por acaso outra, de pé na plateia, imitando a sinalização da aterragem. Antes, já outros dez companheiros se tinham divertido a fazer aterrar no palco aviõezinhos de papel. Pertencem a um novo movimento do activismo ambiental, que se dá pelo nome de Extintion Rebellion, que se manifesta contra o aeroporto no Montijo, e as correlativas negociatas, e trouxeram um toque divertido à festa socialista. Mesmo que a coisa tenha acabado sem grande graça para o pobre rapaz que, ao que diz, e apesar de tão bem ter estado a contracenar com o Secretário-Geral do partido, não se livrou de alguns maus tratos.
O outro chega-nos directamente do famoso Sérgio Moro, o juiz que prendeu o ex-presidente Lula e se passou para ministro da Justiça de Bolsonaro que, chegado a Portugal, não perdeu tempo a comentar a Justiça portuguesa, com o ferro todo ele direitinho a José Sócrates. Que não se teve e acusou-o de "activista político disfarçado de juiz", ao que o ministro brasileiro respondeu que "não debato com criminosos".
Se ao deixar a Justiça para passar ao governo, àquele governo, Sérgio Mora deixara de facto a ideia de "activista político disfarçado de juiz", ao comportar-se desta maneira em Portugal, reforça a ideia de um arruaceiro disfarçado de ministro. Um ministro modelo de Bolsonaro.
Uma coisa é a percepção da opinião pública, que até pode ser coincidente com o que ministro brasileiro verbalizou. Outra é o primado do Estado de Direito na democracia portuguesa, que até ao trânsito em julgado presume a inocência. Que os cidadãos anónimos até poderão ignorar mas, um juiz e ministro, não. E outra ainda é a graça que tem este ministro do governo de um país que, entre 180 países, ocupa a posição 105ª no Índice de Percepção da Corrupção de 2019, a falar da corrupção do e no país que, na mesma tabela, ocupa a 30ª posição.
Tem graça, gracejei sobre estas duas últimas gracinhas e continuo a não perceber como, perante a felicidade de Moro, há gente que não ri com um riso amarelo de bandeira rasgada.
ResponderEliminarOs seguranças de Costa podem agredir e algemar com Marcelo a calar?
ResponderEliminarNão dar troco a vigaristas infiltrados na politica não era onde Moro queria chegar?
A ministra Temida não meteu os pés pelas mãos ao pretender sindicar a Ordem dos Enfermeiros?
Não sei se está confirmado que os "seguranças de Costa" agrediram e algemaram. Só ouvi falar de certas pessoas que se infiltraram numa reunião exclusivamente partidária e foram forçadas a sair. Uns podem arrancar microfones e agir onde não chamados, os outros só têm de comer e calar?
ResponderEliminarO Moro não queria falar de vigaristas infiltrados na política, até porque seguramente ele não sabe se os há em Portugal e, tirando o Oliveira e Costa e o Duarte Lima, não conheço outros "vigaristas infiltrados na política" em Portugal que tenham sido condenados como tal. O senhor conhece?
O que o Moro quer é -- com o sopro nas costas quentes do vento da extrema-direita internacional encabeçada por Trump e chefiada na Europa pelo procônsul Steve Bannon visando destruir a União Europeia ou dividi-la para assim reinar melhor -- dar força à extrema-direita nacional, que ousa aproveitar o dia da Liberdade, em que se comemora o 25 de Abril, para ir provocatoriamente reunir e causar desacatos à vista da turistama para o Terreiro do Paço. Um juiz que age como ele agiu não tem nenhum respeito pela independência exigida à judicatura. E um membro de um governo estrangeiro como ele como prémio é agora, não tem a decência de não se intrometer na política interna, nem na justiça, do país que o recebe. Eu cá tinha-o declarado persona non grata e posto no aeroporto.
Por último, se a Ministra Temido - tem direito ao respeito do nome, por que lho nega? - entende mandar fazer (dentro dos seus poderes legais) uma sindicância à Ordem dos Enfermeiros, da amiga do Passos Coelho e inimiga do Rui Rio, certamente foi porque lhe terá chegado ao conhecimento as declarações que eu li de uma enfermeira que esteve na direcção da dita Ordem com a senhora Bastonária e, depois de sair, publicamente afirmou haver irregularidades com dinheiros (salvo erro) na gestão da dirigente máxima. Ou devia fazer de conta que nada foi dito?
Só sabemos que nada sabemos, e temos mestres.
ResponderEliminarMas quem é que deixou entrar o corrupto Sérgio Moro, amigo de Bolsonaro, em Portugal? Mas o SEF está a dormir e só deixa entrar escumalha? E eu não quero essa escumalha no meu país! Quero imigrantes trabalhadores e honrados, não quero escumalha fascista.
ResponderEliminarNem sempre concordei com Sócrates, mas ele teve toda a razão em relação ao Moro. Ele que volte para a selva de onde veio e deixe Portugal em paz.
"E outra ainda é a graça que tem este ministro do governo de um país que, entre 180 países, ocupa a posição 105ª no Índice de Percepção da Corrupção de 2019, a falar da corrupção do e no país que, na mesma tabela, ocupa a 30ª posição."
ResponderEliminarBURN!
É mesmo de rir a bandeiras despregadas.
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