
A entrada em vigor dos novos passes sociais, uma medida que colhe unanimidade e que só faz roer de inveja quem não a tomou - daí tanta gente a chegar-se à frente para assumir a sua paternidade - , pode até não ter sido uma medida eleitoralista, mas tem muita dificuldade em disfarçar. Do que ninguém tem dúvidas é que resulta. E quase como o eucalipto, secando tudo à volta.
De tal forma que permitiu até a António Costa associar ao passe único um roteiro gastronómico, e dizer que não vai baixar os impostos. O que levou logo Rui Rio a dizer que não os iria subir, elevando a dialéctica eleitoralista à lógica da batata.
Aumentar impostos tornou-se um conceito nebuloso desde o famoso “read my lips”. Podem criar-se taxas, emolumentos, coimas, e outras coisas que não são impostos, e afirmar que não se aumentaram os impostos. Podem aumentar-se os valores de impostos existentes e afirmar que não se aumentaram os impostos, uma vez que não há novos impostos. Podem criar-se novos impostos e baixar os valores dos já existentes, manter (no início) a carga fiscal, e afirmar que não se aumentaram os impostos, já que (no início) não aumentou a carga fiscal. Podem eliminar-se ou condicionar-se isenções e deduções aos impostos, aumentando efectivamente a carga fiscal, e afirmar que não se aumentaram os impostos. Ou uma mistura opaca disso tudo.
ResponderEliminarO que eu gostaria de ouvir, claramente, era um político afirmar que baixará os impostos e a carga fiscal. E que o fizesse. Não estou a ver nenhum político, dos que por aí andam ou dos que por aí tencionam andar, que o faça.
É justamente esse o ponto.O contra-ponto a "não baixo impostos" será sempre "baixo os impostos". Nunca "não subo os impostos".
ResponderEliminar