Por Eduardo Louro
Era uma vez um jogador de futebol... Foi mandado para casa e impedido de entrar nas instalações por ter forçado o seu clube a aceitar as condições de uma desejada transferência, recusando-se a treinar. Dois ou três dias depois foi ao “perdoa-me”, o reality show que, mais que um programa, é a própria razão de ser da televisão de um clube de futebol. Pediu desculpas e fez renovadas promessas de amor e fidelidade.
Logo se percebeu o final feliz e que aquele era o preço que o senhor com cara de mau exigia ser pago. Era aquele, só aquele e não o outro de muitos milhões que o senhor da cara de mau anunciara com voz grossa … Depois havia ainda outro jogador de futebol que há muitos, muitos anos tinha seguido caminho idêntico, de quem o clube encantado se queria agora ver livre, mesmo pagando. E muito. Só que o amor deste jogador de futebol ao clube donde há muito tinha partido já não era o que tinha sido. Não tinha nada a ver com o amor pelo outro jurado, e não estava nada interessado em regressar tantos anos depois de rabinho entre as pernas.
Reflectiu, pensou melhor, e lá chegou à conclusão que não era assim tão mau. Sempre seria preferível regressar a onde teria garantido o lugar de estrela da companhia a andar por aí aos caídos, correndo o risco de não encontrar clube ou, encontrando-o, de não conseguir a jogar mais que uns poucos minutos em todo o ano. E como não perdia nada, o clube encantado continuaria a pagar-lhe tudo...veio.
Foi a apoteose. A chegada o aeroporto teve o encanto das mil e uma noites no regresso do filho pródigo, enquanto um pouco mais abaixo o senhor da voz grossa, mas já sem cara de mau, saía em ombros pela porta 10 A. Lá bem ao fundo, no meio da equipa B, Slimani contemplava embevecido…
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