Por Eduardo Louro
Os que se encarregaram glorificar a resolução do BES, porque eles próprios não acreditavam que fosse uma boa solução, e muito menos a melhor, foram os mesmos que, pouco a pouco, começaram a soltar notícias que deram para perceber que a solução do governo e do Banco de Portugal não era afinal nem do governo nem do Banco de Portugal – era do Banco Central Europeu (BCE).
Sabe-se por isso hoje que, mais uma vez, fomos enganados e que governo e Banco de Portugal andaram afinal a assobiar para o lado, e mais não fizeram do que aquilo que o BCE exactamente mandou. Nada assim de tão estranho, porque não tem sido outra coisa que o governo tem feito: obedecer a ordens do exterior, custe o que custar, e não tomar iniciativa nenhuma!
Mas não se pode deixar de denunciar a hipocrisia que reina no país. Creio não correr grandes riscos de errar se afirmar que nunca na História de Portugal se viveu num clima de tamanha hipocrisia.
Repare-se: O Banco de Portugal apresenta uma solução que, num momento, acaba com a maior marca da banca privada que, poucos dias antes, dava como um banco garantidamente seguro e solvente. Que dois dias antes tinha apresentado resultados catastróficos – que toda a gente entendeu como consequência de uma estratégia ultra defensiva da nova administração, decidida a, olhando fundamentalmente para o seu próprio interesse, criar provisões sobre tudo o que mexesse – mas, ainda assim, com capitais próprios de 3,2 mil milhões de euros. O governo, que criou toda a legislação relâmpago para o efeito, começou por se pôr de lado, como se nada tivesse a ver com aquilo. Só depois de ter colocado todo o exército em acção nas televisões e nos jornais, a preparar o terreno, é que apareceu. Depois da contestação começar a surgir e de se terem começado a pôr a nu as fragilidades da solução, começam a soltar-se informações para sacudir a água do capote e salpicar o BCE. Que na comunicação de Carlso Costa ao país, fez ontem uma semana, tinha apenas cortado o crédito ao BES e, com isso, obrigado o Banco de Portugal à solução anunciada. Quando, uma semana depois, ontem mesmo, se vem a ter conhecimento que, de acordo com a Acta da reunião desse mesmo dia do Conselho de Administração do Banco de Portugal, o BCE tinha ainda obrigado o BES a devolver os 10 mil milhões de euros de crédito concedido, e que isso tinha obrigado o banco central a entregar ao BES, quer dizer, a meter no buraco 3,5 mil milhões. Acta que é divulgada por uma sociedade de advogados!
Para compôr este inacreditável ramalhete, Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem, na sua tribuna dominical, que a inside information - cuja suspeita se levantou aqui desde a primeira hora - teria origem nas instituições europeias...
Não há memória de tanta hipocrisia e de tanta aldrabice. Mas também de tanta incompetência!
Há para aí uns indivíduos que bem mereciam uns dias de férias num centro de reeducação da Coreia do Norte.
ResponderEliminarE são muitos, Pedro...
EliminarPortanto o "buraco" é de; 4,9 + 3,5 + 10 o que faz 18,4 mil milhões de guito.... porra é muita guito, 3 vezes o BPN.
ResponderEliminarUma pipa de massa, António. Sem custos para o contribuinte, diz ela...
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