terça-feira, 18 de janeiro de 2022

É a educação, estúpido!

Um debate de muitas disponibilidades e poucos compromissos


O debate de ontem à noite, entre os líderes das nove formações com representação parlamentar, na RTP, acabou por ser o único no registo de todos contra todos. E mostrou como teria de ser o único. Aquilo nem é fácil de gerir - na RTP só mesmo o Carlos Daniel tinha condições para o fazer, e bem, como fez - nem permite grandes esclarecimentos.


Não houve surpresas relativamente aos debates em duelo que marcaram as duas primeiras semanas do mês, ainda antes da abertura oficial da campanha. Não foi dito nada que não tivesse já sido dito, e em muitos caso até à exaustão. E,sobressaiu quem já tinha sobressaído no anterior modelo - justamente Cotrim de Figueiredo e Rui Tavares.


Em tudo o resto, o normal nestes debates. Perguntas que ficam sem respostas - muitas, e da parte de todos, mesmo que aí Costa seja imbatível -, respostas enviesadas, e respostas precipitadas.


Neste domínio o debate terá ficado marcado pela resposta que deu a Cotrim de Figueiredo sobre a ultrapassagem de Portugal pelos países do leste, chegados muitos anos depois à União Europeia. Ao seu jeito, António Costa passou rapidamente por cima da pergunta. Foi logo cercado, e não o deixaram prosseguir sem essa resposta. E ela veio célere da boca do líder do PS: "a isso responde a História". E prosseguiu o seu caminho, como se a questão tivesse ficado respondida. 


Não tinha, mesmo que a resposta fosse aquela. E estivesse certa. Só que, dada daquela forma, "en passant" , numa espécie de "deixem-me prosseguir e não me chateiem", não era resposta. Era gafe, para gáudio de adversários e comentadores.


É realmente na História que está a explicação para que boa parte dos países de leste, saídos da esfera soviética há 30 anos e há menos de 20 na União Europeia, tenham encontrado ritmos de desenvolvimento que lhes permitissem ultrapassar outros, como Portugal, há muito mais tempo integrados no projecto europeu. É que esses países dispunham de sistemas de educação efectivos e encontravam-se em patamares qualificação bem mais elevados que os de Portugal. 


A resposta poderia ter sido simples, e inspirada no "é a economia, estúpido", de James Carville, que tanto jeito deu a Clinton, e que ficou a marcar a História do debate político: é a Educação, estúpido! 


Tinha perdido o mesmo tempo, e prosseguido a sua rota pré-estabelecida, e saía com um golo de chapéu ao guarda-redes, do meio campo.


Para outra resposta já teria que perder mais tempo - e referir o desenvolvimento industrial de alguns desses países -, ou até recorrer a argumentos eventualmente inconvenientes, como o facto praticamente nenhum desses países integrarem o euro.


 


 

11 comentários:

  1. gostei muito, concretamente da parte explicativa, que o costa deveria ter dado mas nao deu.
    sendo que o costa é PM e nao tem a liberdade dos mais.
    Gostei porque pela primeira vez vi, há dois dias, e isoladamente, esse grafico dos paises com mais populaçao sem o ensino secundario e vi que portugal ( espanha e italia ) estao na cauda, e adotei essa descoberta para cilindrar a estrema direita que por aqui anda. Portanto, ver aqui, é uma coincidencia boa.

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  2. ah, e o nao serem do euro.
    Vou registar mais esse facto.

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  3. Caramba, então o Cotrim de Sussurredo não ajudou o grande líder?
    3º e 4º bastava para o encarreirar no êxito.
    Esta 'extrema'-direita está a perder qualidades, carago!

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  4. Às razões mencionadas neste texto para a ultrapassagem desses países, acresce ainda o peso das empresas públicas no pib desses países (um gráfico menciona cerca de 30% nesses países para 3% em Portugal) proximidade geográfica de um mercado do tamanho da Alemanha.
    António Costa mal preparado.

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  5. Acrescentaria estranhamente mal preparado. Ou completamente fora de forma!

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  6. Entendes tanto de política como de futebol. Calado és um poeta!

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  7. "Não é só a educação estupido". Os países de leste, vindo dos comunismo, sempre tiveram a educação como algo primordial e uma área bastante desenvolvida. No entanto, no comunismo, a educação não era o bastante, como se provam os factos, vida miserável daquelas populações. à educação temos que juntar por exemplo, o modelo de desenvolvimento económico.

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  8. "Num hospital grande há mais administradores do que no grupo Sonae. Não faz sentido".
    Viva o país dos capatazes.

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  9. Não é só a educação, para mim, e como causa principal, a culpa do nosso atraso, com a total e absoluta colaboração dos partidos do dito e podre "arco da governação", é dos empresários pançudos ricalhaços exploradores do trabalho alheio, isso sim, aqui está a verdadeira causa do nosso atraso, porque isso, nos países do Leste, não se passa em grande medida, porque os empresários de lá, também vieram sem grandes meios do comunismo e da ditadura, e basta ver quem é que faz exploração na Polónia, 1 cadeia de supermercados, cujos donos ou é a Sonae ou a Jerónimo Martins, é algo assim do género, assim como também, o Millennium Bcp, com a sucursal que lá têm, basta aqui ver a coincidência, empresas tugas a explorarem Polacos, está assim bem explicado o nosso atraso, tudo a conta dos empresários pançudos e seus "boys" do podre "arco da governação"!

    Assim agora se percebe as ideias dos partidos da directa e extrema, que só sabem apoiar as empresas, nem que para isso coloquem os trabalhadores a pão e água, o ideal deles era que os trabalhadores ainda tivesse que pagar para trabalharem nas empresas, eis o que o IL quer implementar, liberalidade em todas as empresas e negócios, menos para os trabalhadores, mas deixo aqui só 1 pergunta, como eles defendem, se todos nós nos tornássemos empresários, quem é que trabalhava depois neste triste burgo, alguém me diz quem? Cada 1 por si, é ridículo de mais...

    Nós saímos duma abjecta ditadura de 48 anos, 1 das mais longas da história, mas quem antes progredia naqueles tempos, está de volta e melhor, nos países do Leste que sairam do comunismo, tal não se nota nem se vê, está aqui explicado também o motivo do nosso atraso!

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  10. E com tantas demissões, quando tal há mais capatazes do que doentes.

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  11. Será que tinham uma vida miserável? A maioria dos russos quer o regresso da URSS.

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