
Correu-se hoje, pelas colinas da capital Kigali, a prova de estrada dos campeonatos do mundo 2025, no Ruanda, pela primeira vez no continente africano. Num traçado que incluía a interligação de dois circuitos num total de 267,5 km, num dos Mundiais mais exigentes de sempre, tanto pelo acumulado de subida (5.500 metros) como pela altitude (Kigali ronda os 1.850 metros), e com desafios especiais na Côte de Kimihurura (1,3 km a 6,3%), na Côte de Kigali Golf (800 metros a 8,1%), na Côte de Péage (1,8 km a 5,9%) e, especialmente, a subida final á meta, em paralelepípedos, no Muro de Kigali (400 metros a 11,0%).
Depois de, há oito dias, na competição de contra-relógio, ter sido brutalmente batido (tendo mesmo sido dobrado, e ficando fora das medalhas, por 1 segundo no quarto lugar) por Remco Evenepoel, que conquistou o 3º título mundial, Pogaçar voltou ao esplendor, vencendo com autoridade e revalidando o título mundial. Com tanta autoridade quanto a do ano passado, em Zurique.
Não foi muito diferente, o desempenho do melhor corredor de bicicletas do mundo. No ano passado Pogaçar atacou a 100 quilómetros da meta, e avançou sozinho para os últimos 51 quilómetros, cortando a meta com 34 segundos sobre os australiano Ben O`Connor. Este ano, depois da fuga onde contou com o precioso apoio do mexicano Isaac del Toro, seu colega da UAE (nestas competições de selecções o espírito de equipa predomina muitas vezes sobre o da selecção do respectivo país), partiu sozinho a mais de 60 quilómetros da meta, e venceu com cerca de 1,5 minutos de vantagem sobre Evenepoel, o segundo, juntando a medalha de prata à de ouro no contra-relógio.
Remco Evenepoel, que talvez pudesse ter feito ainda melhor, não fosse duas mudanças de bicicleta, a última meio desastrada teve, ainda assim, um desempenho notável. Protagonizou a perseguição a Pogaçar durante muitos quilómetros, no trio que compôs com irlandês Ben Healey e o dinamarquês Mattias Skjelmose, até perceber que, que se era para puxar, que teria de o fazer sozinho. E, sozinho como Pogaçar, não perdeu tempo para o esloveno.
A medalha de bronze, foi para Ben Healey, que na subida final se despediu de Mattias Skjelmose.
Portugal participou com apenas quatro ciclistas - Ivo Oliveira, Tiago Antunes, António Morgado e Afonso Eulálio. Que, em nono - a fechar o terceiro grupo, já em cima dos 7 minutos, com o italiano Ciccone, o dinamarquês Skujns, o mexicano Isaac del Toro, e o espanhol Ayuso -, ficou bem dentro do top ten mundial.
Uma nota para a participação, a título individual, de Artem Nich, o bi-campeão da Volta a Portugal, no 24ºlugar, a 10 minutos de Pogaçar.
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