sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Benfica 2 - Gil Vicente 1


Durante um mês e meio o Benfica teve sempre um jogo a menos que os adversários do campeonato. Hoje, chega ao final do dia com mais um. Como também tem bastantes mais - mais cinco - nas outras competições, os jogadores estão com uma sobrecarga bem maior que a dos adversários. Como não tiveram férias, nem pré-época, a desvantagem competitiva aumenta. Como as coisas correram mal, e tiveram de mudar de treinador, as dificuldades aumentam ainda mais um bocado. Como a carga competitiva não deixa tempo para treinar, a ponte de um treinador para o outro fica mais difícil de fazer, a cabeça fica mais pesada e, com pernas e cabeça pesadas, os jogadores não conseguem jogar.


Parece-me que é mais ou menos isto que marca o momento do Benfica. E é à luz deste momento que tem de se analisar a prestação da equipa, esta noite, na Luz, perante o Gil Vicente. Que não é uma equipa qualquer, é uma das que, até agora, melhor futebol pratica em Portugal. Como mostrou em todos os jogos que já disputou, incluindo no único que havia perdido, com o Porto, logo nas primeiras jornadas.


Foi preciso este jogo com o Gil Vicente para que todos percebêssemos a realidade actual do Benfica.  Até aqui havia a ideia que a equipa tinha dificuldades contra equipas que estacionavam o autocarro à frente da baliza. Que o problema era não ter soluções para enfrentar essas equipas que defendem em bloco baixo, que fazem anti-jogo durante todo o tempo. Os jogos com o Santa Clara e, mais ainda, o último, com o Rio Ave, alimentavam essa ideia. 


Hoje, o Gil Vicente mostrou que, jogando abertamente à bola, olhos nos olhos, colocou ao Benfica muito mais problemas que os outros adversários, que só defenderam. E deixou a nu que, também para esses, o Benfica não tem solução. Não porque não tenha, mas porque não consegue ter.


O Gil Vicente, de César Peixoto, foi melhor durante os mais de 100 minutos que a partida durou. Jogou muito melhor futebol, criou muitas mais oportunidades de golo - mais do dobro das do Benfica -, teve mais posse de bola (51%), mais cantos (7-0), mais remates (17-10), e mais do dobro dos remates enquadrados (9-4), para o que não contam os três que bateram nos ferros da baliza de Trubin. Nem o do golo anulado, no início da segunda parte, por 6 centímetros de fora de jogo!


Com Enzo afastado, o primeiro a atingir o quinto amarelo no campeonato (e Otamendi já vai no quarto, o que também revela muito do que por aí vai),  Mourinho puxou Aursenes para a posição de médio defensivo. Deu a primeira titularidade a Lukebakio, na direita, antes do norueguês e, com  Schjelderup na esquerda, deixava a equipa com asas para voar. Só que foi a equipa de César Peixoto a começar a voar, logo no pontapé de saída, com Trubin a impedir o golo por duas vezes no mesmo lance.


Não marcou aí, marcou logo a seguir, aos 10 minutos, num livre directo bem cobrado pelo maestro da equipa, Luís Esteves, mas ferido de ilegalidade. É que o lance nasce de uma falta, grosseira até, sobre o António Silva que João Gonçalves, mais um habilidoso árbitro do Porto, não assinalou. 


O Benfica reagiu, especialmente por Lukebakio. Mesmo sem ser melhor, a equipa reagiu e, em quinze minutos, fechou o resultado, com dois golos de Pavlidis. O primeiro numa jogada de insistência, ao segundo remate. O terceiro na conversão de um penálti, depois de uma recepção de enorme classe de Lukebakio, após um grande passe de Otamendi, pouco passava de meio da primeira parte.


Na segunda parte o domínio dos gilistas acentuou-se ainda mais. A equipa grande foi sempre a de César Peixoto. A de Mourinho defendia. E passava a queimar tempo, logo a partir dos 80 minutos, o que serviu de pretexto a João Gonçalves para mais um amarelo a Richard Rios.


Podendo continuar a queixar-se da arbitragem, desta vez o Benfica não se pode queixar da sorte!

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