segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Vuelta 2025 (fim)

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Terminou ontem, sem terminar, a Vuelta. Sem que os ciclistas cortassem a meta, e a festa se fizesse na Praça Cibeles. 


A anulação da etapa, depois da etapa 11, em Bilbau, ter terminado 3 quilómetros antes da meta, e sem vencedor, da etapa 15, o contra-relógio de Valladolid, ter sido encurtada para menos de metade da distância (correram-se apenas 12 dos 27 quilómetros previstos), e da etapa 16, em Castro de Herville, ter sido encurtada em 8 quilómetros, amputando-lhe a última e decisiva subida, não foi, de todo, surpreendente. 


Era expectável, como aqui foi sendo dada conta, que os protestos em favor da Palestina, provocados pela participação na prova da equipa de Israel, em Madrid - por ser a capital, por ser o fim de festa, com tudo aprontado e centrado num curto raio de acção, e por ser em circuito que os últimos quilómetros seriam disputados - levassem à anulação da última etapa. Que aconteceu a 56 quilómetros da meta. Para a presidente do governo regional de Madrid - a também Ayuso, mas Isabel -, bem como para todo o PP, por responsabilidade do Governo nacional. Já que José Luis Martínez-Almeida, perfeito de Madrid e também do PP, tinha garantido a segurança da última etapa com a mobilização de 3.000 polícias, a culpa do governo espanhol será certamente por ter declarado o reconhecimento do Estado da Palestina.


Para a História desta Vuelta, para lá dos protestos, e de todas as sua consequências, fica o pódio, com Vingegaard lá em cima, seguido de João Almeida, a 1 minuto e 16 segundos, e Pidckoc, a 3 e 11.


Mas também que o português confirmou que é neste momento o melhor do mundo ... depois de Pogaçar e Vingegaard.  Que o britânico foi a surpresa. Não era tido em grande conta para corridas de três semanas, e passará a contar.


Que Pellizzari, o jovem italiano da Red Bull, e Riccitello - parecendo nome italiano, é americano - da Israel, foram as revelações, nos sexto e quinto lugares, respectivamente. O italiano brilhou sempre mais, mas na Bola del Mundo perdeu o quinto lugar, e a liderança da juventude, para o americano.


Que Hindley, da Red Bull, quarto na classificação, é um valor seguro de top ten das grandes voltas. Como o austríaco Gall, da Decathlon, o oitavo. Que Kuss, o americano da Visma, o sétimo classificado, pode até andar desaparecido durante toda uma época, mas aparece sempre em Espanha. Que o norueguês Traeen, da Bahrain, o nono da classificação final e, depois de Vingegaard, quem mais dias andou de vermelho, foi a surpresa do top ten. Que o americano Jorgensen, o mais influente gregário da Visma, ainda conseguiu fechar.


Que Pedersen, o dinamarquês da Lidl-Trek, foi o primeiro da classificação por pontos. E J. Vine, o australiano da UAE, o vencedor da montanha.


E - the last, not the least - a imagem de uma UAE sem liderança nem estratégia, submetida aos egos das suas estrelas. Ganhou a classificação colectiva, com cerca de meia hora de vantagem sobre a Visma. Mas o top ten não engana: a Visma com três corredores  (1º, 7º e 10º); e a Red Bull, com dois (4º e 6º), foram sempre mais equipa que a UAE. E melhores!


 

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