(OMAR SANADIKI-REUTERS)
Começou com a esperança da Primavera àrabe, há apenas 7 anos, e transformou-se na mais sangrenta e complexa guerra deste século. Interminável. Acontece na Síria, mais um país parido pela primeira guerra mundial, desenhado à revelia das diferentes tribos e das autonomias das diferentes regiões, e não admite tréguas, por breves horas que sejam, para assistência humanitária. À responsabilidade de uma ONU que tem no terreno agentes capazes de a trocar por sexo, deixando às pobres mulheres sírias a trágica opção entre salvar os filhos ou salvar a sua própria reputação.
Uma ONU polticamente ineficaz e ignorada, bloqueada no seu Conselho de Segurança, onde têm assento todos os interesses na guerra. Com os interesses geo-estratégicos da Rússia à cabeça. Os dos Estados Unidos, porque lá está o terrorismo islâmico, mas porque lá está a Rússia. E os da China, porque lá está o Irão, do xiismo e donde lhe vem o petróleo.
Lá está também a Turquia, porque lá está a oportunidade de atacar os curdos e as suas aspirações independentistas. Lá está a Arábia Saudita, porque lá estão os xiitas do Irão. E lá está até a Coreia do Norte, com as armas químicas que mais ninguém quer mostrar, mesmo que bloqueada pelas sanções internacionais, que não pelo cinismo da guerra.
E cá está a União Europeia, aqui tão perto, impávida e hipócrita: os que lá estão a morrer já não passam o Mediterrâneo para cá. São centenas de milhar!
Sem comentários:
Enviar um comentário