segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Lage e os jogadores estão a fazer o seu trabalho. Faltam outros!


Ao terceiro jogo fora, a primeira vitória nessa condição. Ao quarto de Bruno Lage, a quarta vitória. Aconteceu no Bessa, onde os adeptos benfiquistas voltaram a não faltar. Foi como jogar em casa.


O futebol do Benfica já não tem nada - mesmo nada - a ver com o do tempo de Roger Schmidt. É certo que não tem havido tempo para treinar, e é claro que, com dois jogos por semana - pelo menos, e para já, até lá para o fim do ano - não vai haver. No entanto, sem tempo para treinar, a equipa joga de forma completamente diferente, e deixa-nos a sensação que irá evoluindo em competição, que o seu futebol vai sendo aprimorado com os jogos.


Hoje o Benfica tem profundidade e largura no seu futebol. Tem linha de fundo, e variações rápidas de flanco. E isso faz toda a diferença. Os adversários já não defendem comodamente, de cadeirinha, como faziam com o Benfica de Schmidt. E não faziam com os outros adversários.


Os jogadores parecem felizes, livres de constrangimentos, com fome de bola e olhos na baliza. Entram em campo para resolver os jogos, e resolvem. 


Hoje, contra um Boavista dado por frágil - é curioso como foi preciso jogar com o Benfica para que fosse dada ênfase ao impedimento de contratar jogadores, como se esta não fosse uma situação que os axadrezados atravessam há já dois anos -, mas muito competitivo e pressionante em todo o campo (Cristiano Bacci, o treinador italiano a quem temos de tirar o chapéu, explicou que, sem jogadores experientes, não dá para especular com o jogo, e defender em cima da grande área à espera de uma oportunidade de contra-ataque que possa resultar), o Benfica foi avassalador.


Sob o comando de Kokçu (não importa se é 8 ou 10, joga no seu lugar e joga como nunca tinha jogado) e Aursnes (que já não "é pau para toda a obra", e joga no sítio onde o faz melhor), o 4x3x3 assume uma nova dinâmica. Os laterais fazem as alas (Carreras, cresce a olhos vistos e, com Bah lesionado, foi utilizado Tomás Araújo na direita), Di Maria abre as defesas, Akturkoglu fura-as e Pavlidis martela-as. Pelo meio marcam golos.


Poucos para as oportunidades criadas. Dois na primeira parte: o primeiro logo aos 11 minutos, à ponta de lança, depois de Carreras desmarcar Akturkoglu, que furou por ali fora até deixar Pavlidis ser ponta de lança, e marcar); o segundo às portas da meia hora, num grande remate de Kokçu. O último já nos último minutos, por Cabral, acabado de entrar.


Poucos, também, por falta de decência das arbitragens. Penáltis só para os rivais, já ambos bem aconchegados com uma média próxima de um por jogo. No Bessa voltaram a ficar mais dois por marcar. Se no primeiro, na primeira parte, sobre Pavlidis, o árbitro João Pinheiro ainda se deu ao trabalho de se desculpar com uma inventada falta de Tomás Araújo, já no último, aos 73 minutos, sobre Di Maria, ele e o VAR (Tiago Martins) quiseram apenas ser o que são. 


Era importante que alguém da estrutura falasse nisto. Que não continuasse a passar ao lado do que as arbitragens repetem todas as jornadas. E não é só nos penáltis que marcam para uns, e não marcam para outros. É também nos cartões, tantas vezes mais importantes ainda. 


É que Lage e os jogadores podem fazer muito. Mas não conseguem fazer tudo!


 


 

1 comentário:

  1. "Hoje o Benfica tem profundidade e largura no seu futebol. Tem linha de fundo, e variações rápidas de flanco." Virar o jogo, já assim nos dizia o emblemático António Feliciano quando eu era júnior do Chaves.

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