segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ESTICAR A CORDA

 Por Eduardo Louro


 


Na sessão de apresentação do Orçamento deste fim de tarde Vítor Gaspar fez mais que uma prova de vida. Fez - ou quis fazer - uma demonstração de força. Disse: quem manda aqui sou eu!


Encurralado e enfraquecido, Vítor Gaspar, reagiu. Reagiu como reagem os animais feridos, enfraquecidos e encurralados: em ataque desesperado! Vítor Gaspar quis fazer uma demonstração de força quando na realidade está enfraquecido - interna e externamente - como se percebe por uma orçamento de emergência, que não é meio para coisa nenhuma, mas um fim em si mesmo.


É assim que o ministro das finanças acaba por impor o seu orçamento. Impô-lo ao governo - num processo que, pelo que foi possível perceber, não terá sido nada fácil - e vai agora impô-lo ao país: impondo-o ao Parlamento, impondo-o ao Presidente e impondo-o ao Tribunal Constitucional. Quando Gaspar afirma solenemente que não há alternativa a este orçamento, que, da parte da intervenção estrangeira, não há qualquer margem de manobra, está a tentar a dizer ao país que é este orçamento ou a bancarrota. E aposta tudo na atemorização do CDS, de Paulo Portas em particular, de Cavaco Silva e do próprio país…


Vítor Gaspar esticou a corda: agora é só esperar para ver por onde parte. Porque vai partir, se não for em Portas nem em Cavaco será noutro ponto qualquer!


Até porque, pelo que vamos percebendo, a quinta avaliação da troika correu mesmo muito mal. Muito pior do que o que nos foi dado imaginar…

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