Nem o estado de luto nacional, oficialmente decretado pelo governo que, como se sabe, se destina a fazer destes dias tempo de prioridade aos mortos, de reflexão e respeito pelas vidas perdidas em circunstâncias tão dramáticas, conseguiu instalar no país das televisões a reserva, a serenidade e o respeito próprios da morte.
Há sempre alguém a pôr-se á frente, com pressa em dizer qualquer coisa, quanto mais irrelevante melhor. Sempre assim foi, agora é ainda mais assim. Com as redes sociais, onde é fácil escrever a primeira coisa que vem à cabeça. E com jornalistas que trocam a relevância da informação e o interesse público pelo interesse particular de quem lhe paga, sempre para além de todos os limites da decência.
O país que, de luto, está a dar esta fantástica resposta solidária não merece que, ao lado, esteja o outro que nem os mortos sabe respeitar.
PS: Ontem, quando aqui escrevi, ainda não havia fotografia do abraço. Que, estranhamente, também incomodou muita gente..
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