
O governo decidiu ajudar as empresas a suportar o aumento do mísero salário mínimo nacional, decisão, por si só, discutível. Mas deixemos isso para outra altura.
Ao que sabíamos, a ideia seria apoiar empresas de mão-de-obra intensiva, dos sectores mais tradicionais da economia portuguesa, que mais recorrem a trabalho não qualificado e, por isso, com maiores dificuldades em acomodar o aumento do salário mínimo na sua estrutura de custos. Era isso, não era?
Pois...Parece que não. O Jornal de Negócios diz-nos hoje que esse apoio foi inteirinho parar à empresas de trabalho temporário e aos supermercados. E, ao dizer isto, diz-nos tudo sobre a história da maioria dos apoios públicos e dos subsídios à economia. Que nunca são o que dizem ser, nem nunca servem para o que devem servir.
Será que o governo não sabia que a maior mancha de salário mínimo não está nos sectores mais tradicionais e menos competitivos da nossa economia? Será que não sabia que as poucas empresas desses sectores que têm essa prática salarial nem sequer dispõem de meios para correr a esses apoios?
Claro que sabia, e sabe. Mas é assim que as coisas (não) funcionam. E é por estas e por outras que não saímos da cepa torta!
Compensar empresas pelo aumento do salário mínimo não é mais que um prémio por mau comportamento, já para não falar que incentiva à subsídio-dependência dessas empresas. As empresas que pagam salários justos aos seus trabalhadores não recebem apoio nenhum.
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