Contados os votos das eleições presidenciais em Timor, seguem para a segunda volta – ainda sem data marcada - dois ex-companheiros da resistência armada: Francisco Guterres Lu Olo e Taur Mantan Ruak, os dois mais votados.
O ainda presidente - José Ramos Horta - ficou-se pelo terceiro lugar, o que, por si, poderia já ser notícia. Mas não é, e ainda bem que o não é.
Notícia – excelente notícia – é que o presidente que falhou a reeleição, ainda antes da realização do acto eleitoral, tenha dito que o país ficaria bem entregue qualquer que fosse o resultado das eleições. E que na declaração de derrota – que não é nada disso, mas tão só mais um motivo de esperança para Timor – o tenha reafirmado. Que os dois que vão disputar a segunda volta são heróis nacionais e que qualquer deles dará um excelente Presidente da República, razão pela qual não irá dar apoio público a nenhum deles. Irá votar como qualquer timorense, mas sem tornar pública a sua opção.
Excelente notícia é que também Rogério Lobato, candidato que se ficou pelo quinto lugar nestas eleições, com menos de 4% dos votos, se tenha declarado satisfeito com os resultados e, enquanto militante da Fretilin, pronto a apoiar o candidato do seu partido - Francisco Guterres Lu Olo. Rogério Lobato, ex-ministro do interior e ex-vice presidente da Fretilin, esteve envolvido (em 2006) numa das muitas crises políticas e de segurança que têm marcado a História de Timor independente, e condenado a perto de 8 anos de prisão em 2007, de que se livrou por indulto presidencial de 2008.
São estas notícias que nos trazem sinais de mudança em Timor. Estas eleições presidenciais parecem enterrar decididamente o cenário de inviabilidade política do país, confirmar a reconciliação de uma nação e legitimar, finalemnte, a esperança num futuro de paz e desenvolvimento para o povo timorense.
Agora sim, começa a perceber-se que valeu a pena!

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