
O Tour chegou hoje aos Alpes, com a 18ª etapa, nos mais de de 171 quilómetros entre Vif e Courcherel, com a meta no Col de La Loze. Era a etapa rainha deste Tour, com três montanhas de categoria especial, a última na meta. Se os dois primeiros lugares do pódio, em Paris, não tivessem ficado decididos há quase uma semana, no contra-relógio em Peyragudes, seria dela, desta etapa de hoje, que tudo se esperaria.
Mas pode dizer-se, com propriedade, que a montanha pariu um rato.
Como se não lhe bastasse toda a importância que lhe era atribuída, a etapa ficará ainda marcada pelo abandono de dois nomes grandes do ciclismo, e do espanhol em particular: Enric Mas e Carlos Rodriguez.
Depois de se ter aguentado muito bem na primeira semana, sempre na parte superior do top ten, Enric Mas afundou na classificação e desapareceu. Reapareceu no Mont Ventoux, mostrando-se e acabando por chegar à meta praticamente lado a lado com Pogaçar e Vingegaard, no sétimo lugar na etapa. Muito pouco para o líder da Movistar. Carlos Rodriguez, que liderava a Ineos, teve sempre prestações modestas. Mesmo sempre dentro do top ten, que precisamente fechava, nunca esteve à altura do seu estatuto.
Os corredores começaram logo a subir e, ainda antes de corridos os primeiros 40 quilómetros, já escalavam os 22 quilómetros da primeira contagem especial Col du Glandon, aos quase 2 mil metros de altitude. Aproveitou-a - foi mesmo isso, aproveitar enquanto podia - Lenny Martinez para procurar os pontos que lhe dessem alguma vantagem para a camisola das bolinhas da montanha que veste, e persegue, mesmo sabendo que ela depende bem mais da vontade de Pogaçar que da dele.
Menos de 20 quilómetros à frente já se começava a subir o mais íngreme, e mais alto, Col de la Madeleine. Em que a Visma apostou tudo para testar a UAE e Pogaçar.
A UAE ficou-se nas covas e a Visma brilhava a grande altura. Pogaçar ficara ali sozinho, à mercê de um Vingegaard rodeado de companheiros de equipa. A primeira guerra parecia ganha, e a 80 quilómetros da meta o dinamarquês lançou o ataque que tudo prometia. Parecia uma loucura, mas não havia outra forma.
Só que Pogaçar não estava pelos ajustes, e nunca lhe deu uma nesga. Foram ambos por ali acima, e lá chegaram juntos ao alto da Madeleine, deixando toda a gente para trás. Faltavam muitos quilómetros para a meta, quase sessenta. E faltavam os mais de 26 quilómetros até aos 2304 metros de altitude de La Loze.
Por isso Pogaçar decidiu controlar a corrida. Deixar andar, até que toda a gente que fora destroçada pelo ataque que tudo prometia regressasse. Apenas o australiano Ben O´Connor (Jayco), e o colombiano Rubio, da Movistar, não estiveram de acordo com aquela "pax pogaçariana" e fizeram-se ambos à vida.
Quando se iniciou a subida para o Col de La Loze o grupo do camisola amarela era praticamente o mesmo que a Visma tinha dizimado 60 quilómetros atrás. E aí tudo foi virado do avesso. Não foi propriamente a vingança da UAE, mas também não foi qualquer coisa de muito diferente.
E foi com Vingegaard submetido a Pogaçar, que atacou quando quis e muito bem entendeu, para chegar á meta já só atrás de Ben O´Connor.
Vingegaard, e a sua equipa, fizeram o que podiam. Fizeram bem, mas Pogaçar não lhes permite poderem mais. Não tivesse tudo há tanto resolvido e teria sido outra a história desta etapa rainha. E a montanha não teria parido o rato!
Há sempre efeitos colaterais nestas histórias. Há outros a ganhar e a perder. O jovem britânico Oscar Onley,(Picnic PostNL) foi quem mais ganhou com a história de hoje, e é agora mais sério candidato à camisola branca (da juventude) e ao último lugar do pódio).
Sem comentários:
Enviar um comentário