
Depois da crono-escalada de ontem - 11 quilómetros, entre Loudenvielle e Peyragudes, os últimos oito dos quais em autêntica rampa - pode dizer-se que o Tour ficou decidido ainda antes de sair dos Pirenéus.
Pogaçar voltou a não dar qualquer hipótese aos rivais, e ganhou (com o tempo de 23 minutos) a sua quarta etapa, e a segunda consecutiva. E Vingegaard voltou a não deixar qualquer sombra de dúvida que é o melhor, a seguir ao esloveno. Foi segundo na etapa, a apenas 36 segundos.
Mas não saiu derrotado, pelo contrário. Protagonizou o momento do contra-relógio, ao dobrar Remco Evenepoel, que tinha partido dois minutos antes. Ganhou-lhe esses dois minutos e acrescentou-lhe ainda 39 segundos. Foi visível como a motivação especial dessa dobragem contribuiu para o registo de Vingegaard.
Quem também saiu reforçado do contra-relógio foi Roglic, terceiro, já a um minuto e vinte. Pelo contrário, Evenepoel foi o grande derrotado, no 12º lugar a 2´:39´´. De resto acabaria por não resistir à derrota, abandonando na etapa de hoje, à primeira dificuldade, no mítico Tourmalet.
A etapa de hoje, a 14ª, entre Pau, sempre presente no Tour, e Luchon-Superbagnères, com 183 quilómetros e quatro contagens de montanha, a primeira delas no Tourmalet, a 2115 metros de altitude, era a etapa-rainha dos Pirenéus. Esperava-se que fosse a terceira vitória consecutiva de Pogaçar, a fazer o pleno nos Pirenéus.
Não foi. Por pouco, mas não foi. Formaram-se vários grupos na frente, por onde andou Arensman, o holandês da Ineos, que se isolou a mais de 30 quilómetros da meta, já depois de ultrapassado o Col d´Aspin. Subiu já sozinho o Col de Peyresourde, que dobrou com uma vantagem de cerca de 4 minutos sobre o grupo do camisola amarela.
A subida final até Superbagnères, mais de 12 quilómetros com uma pendente que em muitas zonas chegava aos 16%, para uma pendente média 7,5%, deu para o grupo das principais figuras, ao ritmo da UAE, ir engolindo os fugitivos. Contudo não beliscava muito a vantagem de Arensman. Os quilómetros iam passando, o holandês ia-se aguentando, e Pogaçar não parecia muito interessado em ganhar a etapa. Até que, já a menos de 5 quilómetros do fim da subida, e da meta, Vingegaard teve a coragem de quebrar aquela paz podre, e atacar.
Pogaçar respondeu, claro. E lá foram os dois, sozinhos por ali acima, a comer minutos a Arensman. Ficou a ideia que ainda estariam a tempo de anular toda a desvantagem, mas Pogaçar entendeu não sair da roda do adversário, e desferir apenas o golpe final em cima da meta. O que permitiu a Arensman segurar o minutinho que lhe deu a vitória, a primeira no Tour, e a primeira da discreta Ineos nesta edição.
Na meta, com toda a naturalidade, Pogaçar voltou a bater Vingegaard. Sobre quem já tem bem mais de 4 minutos de vantagem. Para o alemão Lipowitz, da Red Bull Bora, no terceiro lugar, a vantagem vai no dobro.
Por isso, sem nada de acidental, o que nunca se pode dar por garantido, o Tour está decidido. À 14ª das 21 etapas. Antes de concluída a segunda das três semanas!
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