sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Chaves 0 - Benfica 2

Taça de Portugal 25/26: GD Chaves-Benfica


Não foi de oito e oitenta a exibição do Benfica, esta noite, em Chaves onde, no regresso das selecções, se deslocou para este primeiro jogo da Taça, nesta época. Na última foi fatídica, como bem lembrou Mourinho no pré-match, a lembrar também que faz mais pelo Benfica numa única frase, em um ou dois segundos, que a Direcção de Comunicação em quatro anos.


Mas foi aos oito, e aos oitenta que, com dois fantásticos golos, Pavlidis fez o resultado de um jogo em que o Benfica esteve muitas vezes próximo do oito, sem nunca chegar ao oitenta. Nem lá perto!


José Mourinho não mexeu muito na equipa base, no onze que vem regularmente apresentando. O Samuel apareceu na baliza, dentro da normalidade da troca de guarda-redes na Taça. Ainda não tinha sido primeiro opção do treinador, ao contrário do que sucedera com Lage, e era esta a oportunidade. Tomás Araújo estreou-se no centro da defesa, na vez - que não no lugar, aí jogou o António Silva - de Otamendi, poupado. No meio campo a poupança foi Rios, entrando João Rego na sua vez. Também não para o seu lugar, esse foi ocupado por Aursenes, mas jogar na ala esquerda, onde ainda não o tínhamos visto.


Se descontarmos o específico lugar do guarda-redes, na verdade apenas duas mudanças nos nomes. E novidade, mesmo, apenas uma - o jovem João Rego.


Se era um sinal de respeito pelo adversário, que de resto Mourinho não se cansara de elogiar, foi dado bem a tempo. Mas também bem cedo desrespeitado, ainda antes de se chegar a meio da primeira parte. É que com o golo - e que golo! - ao minuto 8, no primeiro remate do jogo, e mais as duas ou três claras oportunidades que se lhe seguiram nos 10 minutos seguintes, os jogadores do Benfica começaram a desligar-se do jogo. Não sei se foi falta de respeito, ou se simplesmente pensaram que Mourinho era um exagerado, e que aquilo era fácil. Fosse pelo que fosse a equipa desligou-se, perdeu a pouca intensidade que tinha, voltou à sua dependência daquele futebol para trás e para o lado, e em pouco tempo deixou de mandar no jogo.


O Chaves crescia, e acreditava. Samuel, na baliza, dava mostras de alguma perturbação e chegou a temer-se que a equipa se começasse a afundar. O intervalo veio então em boa hora. Não que a equipa tivesse estado à beira do KO, mas andava perto do 8, e começava a rebobinar-se a fita do jogo com o Gil Vicente. 


O intervalo foi bom conselheiro, e o Benfica regressou para a segunda parte, já com  Schjelderup no lugar do "amarelado" João Rego, mais perto dos primeiros minutos do jogo. Longe do 80, mas também do oito. Ao Chaves foi valendo o guarda-redes sérvio, Gudzulic que, à defesa da primeira parte que negara o golo a Lukebakio acrescentou, na segunda, mais três ou quatro que evitaram outros tantos golos. Foi valendo a intensidade, e até os excessos, dos seus jogadores. E foi valendo um árbitro - David Silva, do Porto, como não pode deixar de ser, esse velho conhecido destas coisas da Taça - que sempre pactuou com esses excessos, e que, sem VAR, deixou dois penáltis por assinalar. O primeiro quando uma mão de um defesa da equipa flaviense desviou a bola de Aursenes; o segundo quando António Silva, numa disputa de bola na área adversária, foi pisado ali mesmo à frente dos olhos do tal David Silva.


Os minutos iam passando, o resultado tangencial mantinha-se, o Benfica corria o risco de ficar à mercê de um qualquer incidente de jogo. Como poderia ter acontecido naquele contra-ataque que, ao não assinalar o penálti, o árbitro permitiu, com toda a gente a reclamar o penálti, e António Silva caído na área contrária a torcer-se com dores. Mas o pior período do Benfica tinha já ficado para trás.


E lá se chegou ao oitenta. Ao minuto em que Pavlidis - que sairia logo a seguir para dar lugar a Ivanovic - rematou o resultado, voltando a bater o guarda-redes sérvio que parecia imbatível. Em fim de festa ainda houve tempo para João Veloso substituir Sudakov, e para a estreia absoluta de Ivan Lima (a substituir Aursenes), um miúdo de quem muito se espera. E o sexto miúdo da formação com a camisola do Benfica vestida que passou pelo relvado de Chaves. Houve mais um: chama-se Henrique Pereira, mas jogou pelo Chaves, emprestado pelo Santa Clara.


 

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