O jogo da nona jornada, com o Arouca, fechava na Luz um dia cheio de Benfica.
Poderia esperar-se uma noite quente, com o fervor que arrastou mais de 85 mil benfiquistas - 85.422, mais precisamente, e novo recorde mundial - para as secções de voto, a transferir-se para as bancadas da Luz. Mas não foi bem assim, e nem o mais expressivo resultado da época conseguiu que os mais de 60 mil nas bancadas exorbitassem em festa. Sinal dos tempos!
Depois do descalabro de Newcastle José Mourinho apresentou uma única novidade no onze. Obrigatória, de resto, pela lesão de Dedic. Sem que Aursenes naquele lugar fosse novidade, como novidade também não seria que não houvesse da formação algum lateral direito, chame-se Leandro ou outra coisa qualquer, a novidade foi Prestiani, acabado de chegar do mundial de sub-20.
A reacção ao anúncio do seu nome pela instalação sonora deu logo para perceber que Prestiani iria mexer com a bancada. E mexeu mesmo. Mexeu sempre que mexeu com o jogo, sempre que o agitou, e mexeu na altura em que saiu, aos 64 minutos, substituído por Schjelderup, no momento alto da noite da Luz.
O jogo foi de domínio e controlo claro do Benfica. Em parte por méritos próprios, em parte por manifesta incapacidade do Arouca. Teve cinco golos, três de penálti, o que, se não é inédito em jogos do Benfica, andará perto por lá. Dois - os dois primeiros, e também os dois primeiros golos, convertidos por Pavlidis - arrancados a ferro pelo VAR já que, pelo o nosso conhecido Hélder Carvalho, não haveria nenhum deles. O terceiro, já na compensação, como já não aquecia nem arrefecia, já não lhe custou nada ser ele próprio a assinalá-lo. Nos dois restantes, o terceiro veio de um canto, no período de compensação da primeira parte, pela cabeça de Otamendi que, desta vez, ao contrário do jogo da época passada, apenas derrubou a bola para dentro da baliza. E só o quarto, logo no início da segunda parte, em lance de bola corrida.
Mas não galvanizou as bancadas, que viram neste jogo mais razões para se conformarem que para se entusiasmarem. O que hoje se viu na Luz é provavelmente o melhor que futebol de Mourinho tem para nos dar. Na perspectiva resultadista é excelente. Ficamos todos contentes com goleadas de 5-0.
Mas quando na Luz, numa noite dos 5-0, e ao adversário que na época passada nos roubou o campeonato, o que mais nos faz vibrar é a ovação ao Prestiani, percebe-se que os benfiquistas estão conformados. Não lhe peçam é que se entusiasmem!
O entusiasmo era outro se estivesse lá Akturkoglu, o tal que não foi contratado a tempo pelo Fenerbahçe e contribuiu para a saída de Mourinho, o mesmo Mourinho que, agora, acha que o jogador faz muita falta ao pobre plantel do Benfica, plantel esse que ele próprio considerou que era rico.
ResponderEliminarHá alguma coisa nesta história que não soa bem …