quinta-feira, 25 de julho de 2019

Boca do Inferno*

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Quando o inferno dos incêndios voltou a instalar-se entre nós, trazendo consigo tudo o que já sabemos que sempre traz – intermináveis debates nas televisões, sempre com gente muito conhecedora do fenómeno em todos os seus ângulos, entrecortados por intermináveis directos de fazer arrepiar – tivemos a notícia da greve dos motoristas, que se iniciará dentro de pouco mais de duas semanas.


O ministro já nos aconselhou a encher os depósitos dos automóveis, coisa que certamente a maioria de nós fará e que bem poderá fazer com que as bombas de gasolina fiquem esgotadas logo no início da greve, em vez de nos habituais dois ou três dias seguintes. Mas enfim…


Para além de combustíveis nos depósitos podem faltar também alimentos nos supermercados e medicamentos nas farmácias, mas aí já não chegaram os conselhos do ministro…


É, em pleno pique das férias, o inferno a estender-se para o litoral, lançando o caos nos hotéis, nas praias, nos restaurantes, nas cidades. É definitivamente tornar a vida dos portugueses num inferno: à maioria estragando-lhes as férias, aos outros, o trabalho. A todos, um país já tão estragado.


Parece que a ideia desta greve é também tornar as eleições num inferno para o governo, ao que consta de uns relatos que por aí andaram. Mas começa também a ficar a ideia que o governo está a levar isso muito a sério.


Para inferno, já lhe chega o que está a arder. E bem pode encontrar um coelho qualquer para, à boca do inferno, tirar de uma qualquer cartola...


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*Aminha crónica de hoje na Cister FM

6 comentários:

  1. Se as pessoas atestarem os carros, e os hipers reforçarem os stocks, talvez a greve não surta efeito antes de passar uma semana. É por isso que acredito que teremos greve até lá para final de Agosto.
    Quanto aos abastecimentos prioritários, é uma zona cinzenta. As ambulâncias, sem dúvida. Mas, e se os condutores não se conseguirem apresentar ao serviço? E se o hospital não tiver médicos, enfermeiros, seguranças, maqueiros, pessoal de limpeza, catering? Ou medicamentos?
    É o mesmo em muitos sectores. Numa sociedade somos todos prioritários, dum modo ou outro. Se os funcionários duma creche não se apresentarem ao serviço os pais terão de faltar ao serviço - e podem ser médicos ou bombeiros.
    Na greve dos enfermeiros ficámos a saber que o crowdfunding não pode ser, porque as greves devem ser proporcionais em prejuízo para os grevistas e utentes. Ora esta greve anunciada parece-me desproporcional.
    Acredito que o governo esteja preocupado, se a situação se arrastar até ao caos terá de tomar uma posição de força, o que não parece ser a sua vocação, e, numa democracia, pode ter consequências imprevisíveis. A meses de eleições.
    Talvez a solução natural seja os grevistas levarem umas pauladas dos vizinhos, quando faltar o leite do bebé ou a bomba da asma.

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  2. Estas greves são, apenas, mais uma demonstração de muita força. Quem incumpriu o quê? Quem fechou a porta ao diálogo?

    Curiosamente, e tal como no caso dos professores, parece-me que o Governo sairá beneficiado deste braço-de-ferro: não é patronato. E o que fizer será "pelo país", contra meia-dúzia de cidadãos. A meses das eleições, parece que lhe entregam um segundo coelho já esfolado.

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  3. Ora aí está. Não tinha posto essa hipótese, mas os vizinhos bem podem vir ser o coelho.

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  4. Estarás a dizer que aqui há gato? Ou que vem aí gato por lebre?
    Já esfolado, para não se notar nada...

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  5. Há gato, aparentemente, mas neste caso penso que foi comprar lã e saiu tosquiado - nem sempre as estratégias funcionam como os seus mentores desejam... querem forçar uma situação mas talvez se enganem na direcção ou ignorem a força da inércia.

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  6. Há poucas coisas que façam os portugueses saír à rua com paus e pedras, mas há. Chavalos em greve pelos aumentos de 2021 pode ser uma delas.

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