terça-feira, 14 de maio de 2019

Singularidades

Resultado de imagem para passadeiras lgbti


 


Não sei se é singularidade nacional, mas sei que temos uma grande propensão para criar grandes questões à volta de pequenas coisas. De fazer de coisas que não acrescentam nada, o "alfa" e o "ómega" da nossa sobrevivência.


Vem isto a propósito das chamadas passadeiras LGBTI. Todos percebemos que, a partir do momento em que alguém na freguesia de Arroios avançou com a ideia de pintar as passadeiras de peões com as cores do arco-íris, a coisa não ficaria por ali. Vinha aí assunto importante para tratar. 


Ao que se diz, a ideia partiu de alguém do CDS,  que súbita e inesperadamente quis agarrar a frente da causa. Em Arroios a ideia acabou por morrer na casca, com a agremiação de Cristas tão partida como a casca do ovo donde se preparava para sair, mas logo renasceu em Campolide, uma freguesia mais ocidental.


Inevitavelmente!


Em Campolide, ou noutra freguesia qualquer, as passadeiras de Arroios teriam mesmo de ressuscitar. Uma passadeira pintada com as cores do arco-íris era assunto demasiado importante para que se deixasse morrer. Tão importante que teria inevitavelmente de suscitar imediatamente questões de vida ou de morte ao secretário geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, o conhecido José Manuel Trigoso, provavelmente pouco dado a dar para aquele peditório - as passadeiras só são passadeiras com as cores da zebra. Ponto final, e nada de modernices...


Alguém que seja atropelado numa passadeira com cores mais vivas não é atropelado numa passadeira. É na estrada, diz o responsável pela moral rodoviária. 


E lá está. Nem ninguém percebe o que é que uma passadeira com as cores do arco-iris acrescenta à causa gay e lésbica. Pelo contrário, é mais provável que leve a uma maior radicalização, que muita gente se recuse mesmo a utilizá-la, ou que passe a destinar-se a uso exclusivo dos activistas da causa, com todos os riscos que se adivinham. Mais ainda se, como defende o Sr Trigoso, aquilo passar a ser simples estrada...


Mesmo que, também, ninguém perceba porque deixaria de ser passadeira!

7 comentários:

  1. Que o Sr. lamentável Trigoso, não determine e mande publicar assim tão apressadamente e tome nota:
    É notório, visivel e verificável que com as cores do arco iris ou de um burro a fugir com tons coloridos se identificam melhor as passadeiras tanto para peões como automobilistas, e as crianças pela mão ou sózinhas agradecem.
    Devia preocupar-se em fazer um levantamento da quantidade delas cujas pinturas legais e a seu gosto se encontram práticamente invisiveis de tão gastas e regastas.

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  2. Não percebo o que acrescentam.
    Já havia confessado esta minha incapacidade para perceber tal manobra de sensibilização. Mas diria o mesmo se a passadeira fosse pintada com os laços cor-de-rosa do cancro da mama ou com os laços azuis da violência na infância e adolescência. Não percebo a mensagem mas acredito que outros perceberão, e aceito a manobra também pelo seu valor criativo.


    Já não aceito tão facilmente que se alterem símbolos rodoviários sem interferência de quem os regula - nem aceito que quem os regula descarte opções apenas porque sim. Porque pode bem ser válido o argumento que classifica uma passadeira arco-íris como estrada - e há uma miríade de seguradoras que espreitam estes vazios legais para se entrincheirarem.
    Mas ninguém acredita na imutabilidade das regras - excepto talvez José Manuel Trigoso...

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  3. Vai ser pior quando chegar aos semáforos.

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  4. Depois do amarelo empalhado e do tão praticado verde/tinto não sei o que de pior pode acontecer com os semáforos.

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  5. Sei que não é com ele, mas a solidariedade ficava-lhe bem...

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  6. Aqui está uma situação em que a respeitabilidade da causa se perde na coreografia.

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