Conforme se esperava, e ontem aqui tinha ficado dito, Maurício Moreira ganhou a Volta a Portugal em bicicleta, a 83ª da História, vencendo o contra-relógio de hoje, de pouco mais de 18 quilómetros, entre o Porto e Gaia, ali à volta da foz do Duro. Curto, mas de grande exigência!
Os 7 segundos de desvantagem para Frederico Figueiredo foram rapidamente anulados, logo nas primeiras pedaladas. No fim, com o sétimo lugar na etapa, o ciclista português, que partira para o contra-relógio com a camisola amarela vestida e com a da montanha emprestada ao uruguaio, acabou a perder 1`e 26". E ficou com o segundo lugar na geral, e apenas com a camisola da montanha. Que só vestiu no pódio final!
A Glassdrive acabou por ficar com todos os lugares do pódio, porque António Carvalho, porventura o melhor ciclista desta Volta teve, também ele, um desempenho extraordinário no contra-relógio, logo atrás de Maurício Moreira - e à frente Alejandro Marque, com uma despedida ao nível da sua notável carreira em Portugal - e ultrapassou largamente os 29 segundos que trouxera de desvantagem para Luís Fernandes, nas condições aqui ontem descritas.
Voltando a elas, e à espécie de batotice com que as designara, saliento duas declarações. Em primeiro lugar as de Ruben Pereira, director desportivo da Glassdrive que, antes do contra-relógio, afirmou não ter nada a ver com aquilo, que nem tinha preferências, nem nunca tinha imposto o reboque ao uruguaio. Depois, no final do contra-relógio, as de Frederico Figueiredo, quando disse que Maurício Moreira tinha merecido ganhar a Volta ... pelo que fizera no ano passado.
Todos percebemos onde estava a verdade. Maurício Moreira tinha merecido ganhar a Volta que no ano passado dramaticamente perdeu. Esta, foi a direcção da equipa que decidiu dar-lhe a ganhar. Pode ser um gesto de gratidão apreciável, mas fere a verdade desportiva. Essa teria de ter sido deixar ganhar o melhor deste ano. E deixar que fossem Frederico Figueiredo e António Carvalho a decidir quem era o melhor.
A clara vitória de Maurício Moreira neste contra-relógio de hoje, e a sua própria honestidade no final, não esconde que esta tenha sido uma Volta ganha com mérito diferido.
Claro que não tem comparação com as outras batotas. Nem nada tem a ver com a simples batota de uma equipa ter um nome quando ganhava com batota, e passar a ter outro quando a batota foi descoberta. A Glassdrive fez isto porque podia. Porque, como se viu, só ela tinha corredores para poderem ganhar.
Podia. Mas não devia ter escolhido quem queria para ganhar. Como ficou claro para toda a gente. Até para o honesto Maurício Moreira!
Sem comentários:
Enviar um comentário