São muitas as formas que um anúncio de recrutamento – oferta de emprego – pode assumir. Mais ou menos apelativo, mais fechado ou mais aberto nas condições de acesso, com mais ou menos exigências…
Há mesmo ofertas de emprego desenhadas à medida: os requisitos são tão fechados, tão ajustados, que se percebe de imediato que já há galo para aquele poleiro.
O que ainda se não tinha visto era uma oferta de emprego tão específica … tão específica … que já inclui o nome a pessoa a recrutar. Disto é que ainda se não tinha visto. Mas viu-se hoje e, pasme-se, publicado pelo IEFP!
Poderia fazer parte do perfil requerido. Por exemplo: licenciatura em educação de infância, 24 anos de idade, olhos azuis – que deve sempre dar mais jeito para os miúdos – cabelos louros, porque assim é que deve ser – olhos azuis/cabelos louros –, e de nome Vera – porque os miúdos já estão habituados ao nome – e apelido Pereira, que é para facilitar o processo de aprendizagem da botânica. Mas não. O anúncio exigia conhecimentos profissionais inerentes à profissão – nada mais claro nem menos lapalissiano – e nos outros conhecimentos requeridos é que surgia o nome: Vera Pereira!
Valham-nos os estímulos. E as medidas de estímulo…
Muito pior acontece aos dias de hoje... empresários multi milionários que precisam de 10 funcionários, para uma empresa de restauração. Pedem jovens entre os 18 e os 26 anos com o 12 ano. Ao enviarem a candidatura são convidados a irem a uma entrevista num local muito conhecido da Ribeira. Ao chegarem lá, descobrem que não tem o que o empresário procura mas, (a verdade é que o anúncio não é para funcionários da dita cadeia de restauração e animação nocturna) "Existe uma formação na "empresa privada de formação de hotelaria e restauração", que por 6500 euros, em 6 meses lhe dá a formação que precisa." Os jovens não podem aceitar e recebem uma proposta "simpática": ficam a trabalhar 60 horas semanais, durante 6 meses, recebem 166 euros (subsídio de alimentação) e fazem o curso, paralelamente com 4 horas semanais de aulas teóricas. 99% dos que aceitam, fazem o dito, recebem um certificado de formação (sem qualquer UFD), logo a após receberem a carta a dizer que não terão o contrato validado. Trabalharam de borla e receberam 166 euros por 240 horas de trabalho mensal e aceitaram as condições (que são legais), segundo os 2 contratos que assinaram.
ResponderEliminarNão conheço esse caso, mas não me surpreende. São conhecidos outros expedientes semelhantes, e demais "poucas vergonhas". Mas depois há falta de pessoal, faltam não sei quantas dezenas de milhares de trabalhadores na restauração e na hotelaria...
ResponderEliminarO IEFP é um cancro. Uma pessoa vai lá ver as ofertas de emprego por lá e são quase todas um insulto à inteligência humana, com valores salariais muito abaixo dos valores de mercado. Já para não falar dos famosos estágios que na verdade são subsídios a entidades patronais que não querem pagar salários. Morra o IEFP, morra, pim!
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