Quando se nomeia um grupo de estudo sobre qualquer coisa é condição sine qua non que as pessoas escolhidas detenham conhecimentos profundos da coisa. Que sejam especialistas! Se não, não vale a pena!
Claro que ser especialista numa coisa – na circunstância em serviço público de rádio televisão – não implica abstenção ideológica. E as convicções ideológicas de cada um influenciam, naturalmente, a sua visão das coisas. Na razão inversa da sua especificidade técnica, é certo, mas nunca lhe ficando indiferente. Daí que a constituição de um grupo de trabalho deva incluir especialistas e, tanto quanto possível, de suficiente amplitude ideológica.
Ora, o que se passou com o Grupo de Estudo do Serviço Público de Rádio e Televisão, foi bem diferente. Apenas dois especialistas na matéria: um demitiu-se e o outro, reconhecendo-se-lhe competências, está mais virado para o conflito e para o ajuste de contas. Num grupo presidido por um Professor de Gestão mais conhecido pelo seu referencial ideológico que propriamente por outras razões, não admira que o Relatório final seja uma coisa pouco menos que ridícula.
Ninguém, seja qual for a sua posição perante a rádio e a televisão pública, reconheceu qualquer mérito àquele Relatório. Nenhuma ideia estruturante, apenas ideias preconceituosas. E disparates, muitos disparates!
Sou, como tenho por diversas vezes manifestado, favorável à privatização da RTP. E entendo que o serviço público – um serviço público a sério - deveria ser objecto de contratualização com os diferentes operadores como contrapartida da atribuição das respectivas licenças. Não sou um especialista e tenho esta posição apenas por razões pragmáticas, à cabeça das quais está logo a utilização da RTP como o covil de favores políticos, onde cabe sempre mais um.
Talvez por isso me sinta confortável na denúncia do embuste que é este Serviço Público de João Duque. Serviço Público e João Duque são, de resto, de convivência difícil!

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