domingo, 26 de dezembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Na sua mensagem de Natal o primeiro-ministro enfatizou duas ideias: reformas estruturais e confiança!


São – curiosamente, ou talvez não – dois dos grandes calcanhares de Aquiles que são apontados aos seus primeiros seis meses de governação. O governo tem sido acusado de procurar dinheiro e de cortar em tudo o que mexe, sem mexer em nada do que deveria cortar, sem tocar nos intocáveis – PPP, por exemplo – e sem limpar as famosas gorduras do Estado. Ainda recentemente, como aqui se deu nota, depois de criadas expectativas elevadas à volta daquele domingo de trabalho extraordinário, a montanha pariria mais um rato. E, de reformas, ficamos na mesma!


E de, com isso, dizimar a última gota de confiança que eventualmente pudesse resistir. Com isso e com um discurso realista, é certo, mas nada galvanizante, como a mais que badalada e recente tese da emigração. Em apenas seis meses o país passou de um primeiro-ministro que negava e escondia a dura realidade para inventar raios de sol e de esperança, que não olhava a meios para puxar pela auto-estima nacional, para um outro que, com uma narrativa de verdade, é certo, não encontrava outra cor que o preto carregado para pintar o seu discurso.


O país passou de um primeiro-ministro que puxava pelo país e o rebocava alegremente para o abismo, para outro que parecia nada mais  conseguir que observar, impotente, um país a desfazer-se em cacos pela ravina abaixo. A verdade que ambos minaram a confiança, a mola real do desenvolvimento. Um, porque não merecia o mínimo de crédito, nem sequer de respeito, e outro porque, apesar de respeitável, não dá mostras de um rasgo capaz de fazer alguém acreditar que encontre uma solução. Um, um líder desacreditado e ética e moralmente desautorizado. Outro, um líder respeitado mas sem espírito de liderança. Ambos a deixarem o país órfão de liderança. Ora, sem liderança não há confiança e, sem confiança, nem o mundo nem o país pula e avança!


 

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