sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Inquietação


Arranque da segunda volta do campeonato, e segundo jogo consecutivo na Luz, novamente perto de cheio (55 mil), mas ainda baixo da média da temporada. Com o Benfica a ter contas para ajustar com o Boavista, a única equipa com que perdeu nesta competição, logo na primeira jornada, e nas condições em que todos recordamos.


Já sem Petit - gratidão é coisa que não assiste no futebol, menos ainda em Portugal e, menos ainda no Boavista - a equipa axadrezada não foi muito diferente da de então. Muita força, muita entrega, marcação cerrada e, a espaços, alguns momentos de futebol. É uma daquelas equipas que obrigam o adversário a correr, e a lutar, tanto como eles. E o Benfica, já se sabe, não se sente muito confortável com essa obrigação. Acresce que o adversário moralizado pelos últimos dois jogos, com o empate com o Porto e a goleada em Vizela.


Tudo se conjugava para mais um jogo de elevado grau de dificuldade para o Benfica, o que se confirmou.


Na primeira parte o Boavista apenas defendeu. O que não quer dizer que o Benfica apenas tenha atacado, e menos ainda que tenha massacrado a defesa boavisteira. Isso não aconteceu porque ao Benfica faltou intensidade, faltou pressão alta consistente, e faltou ... João Neves. Mas também porque tem dificuldades no ataque continuado, e porque o árbitro Gustavo Correia é, com conhecida folha de serviço, mais do mesmo. Ignorou faltas sucessivas, muitas delas merecedoras de sanção disciplinar, e algumas dessas praticadas pelo mesmo jogador. O que quer dizer alguns deles, e descaradamente Salvador Agra e Luís Santos, poderiam e deveriam ter sido expulsos bem cedo no jogo.


A arbitragem deste senhor, que tem brilhado nos jogos do Porto,  saiu melhor que a encomenda, teve clara influência no desenrolar do jogo, e criou um ambiente de instabilidade nos jogadores e nervosismo nas bancadas. Basta dizer que o Boavista chegou ao intervalo com três faltas assinaladas. E o Benfica com 8. 


Com o Boavista só a defender (o seu melhor marcador, o internacional eslovaco Bozeník, foi mais um central), o Benfica chegou ao intervalo com muitos cantos, doze remates, e quatro oportunidades de golo, mas sem marcar... Podia - e deveria - ter feito mais e melhor. Mas tem de se reconhecer que, naquelas condições, isso também não era fácil.


A segunda parte começou com o golo de Di Maria. Finalmente. Que mudaria o jogo. Mas não. O VAR foi descobrir que no início da jogada a bola batera na mão de João Mário. Gustavo Correia foi ver as imagens e regressou todo satisfeito, para anular o golo.


Mas o jogo mudou, na mesma. O Boavista percebeu que nada de mal lhe poderia acontecer, passou a afoitar-se mais, e o jogo chegou mesmo "a partir". Bozeník já não era central e, num contra-ataque, surgiu na cara de Trubin. Que evitou o golo com uma grande defesa, complementada com o apoio de Morato, a impedir que a bola defendida chegasse, ainda assim, a entrar.


Foi a única oportunidade conseguida pelos boavisteiros em todo o jogo mas, naquela altura, por volta dos dez minutos da segunda parte, não se sabia. E a inquietação subia, logo a seguir quando, prosseguindo a sua escalada, o árbitro assinalou uma falta que Florentino não cometeu, e lhe mostrou o cartão amarelo. E a Rafa, por protestar a absurda decisão. Otamendi também já o tinha visto, minutos antes.


Vivia-se esta inquietação quando, à saída do primeiro quarto de hora, Di Maria marcou. Num centro-remate, depois de desmarcado pela diagonal de Kokçu, a bola acabou por entrar sem que nem, primeiro Cabral e depois João Mário, lhe tenham conseguido tocar. A demora a confirmar o golo indica que o VAR ainda vasculhou tudo à procura de qualquer coisa que aliviasse a dor do tal Gustavo.


Logo a seguir Rafa poderia ter marcado, e resolvido a inquietação. Mas o remate saiu rente ao poste, e o Boavista cresceu. O cartão amarelo "liquidara" Florentino. Deixou de existir, e a sua substituição era obrigatória. Mas tardou. E, quando foi feita, a 20 minutos dos 90, não correu muito bem: entrou Tomás Araújo para a direita (o Benfica ficava só com centrais no quarteto defensivo) e Aursenes derivou para o meio campo, donde pareceu já desabituado. Em simultâneo entrou - e essa correu bem - Marcos Leonardo para o lugar de Cabral.


Schemidt teve um quarto de hora para perceber que não correra bem, e emendou a mão com a entrada de João Neves (a carga de porrada que levou no jogo com o Rio Ave deixara-o sem poder treinar e, por isso, sem condições físicas para jogar), para o lugar de Kokçu, que acabara de, no seu primeiro remate à baliza, estar muito perto do golo. Faltavam mais de 10 minutos (com os descontos) para o fim, e o miúdo funcionou como um forte ansiolítico para a inquietação que reinava nas bancadas. E no relvado.


João Neves, recebido logo à porrada pelos adversários, pegou no jogo e não o largou mais. Mas o sofrimento apenas acabou mesmo já no período (seis minutos) de compensação, finalmente com o segundo golo. Mais uma vez numa jogada de ataque rápido, com um passe longo e preciso de Otamendi para Di Maria, que recebeu como só ele sabe e serviu de bandeja Marcos Leonardo. Que não falhou, e marcou também o seu segundo golo. No seu segundo jogo. Depois de vinte minutos em campo, que somam aos dezassete do primeiro.


O Benfica construiu dez oportunidades de golo. Criou 50 acções na área adversária mas, mais uma vez, só conseguiu marcar nas duas que resultaram de lances de ataque rápido. E esta não é uma boa notícia. Nem novidade!


Boas notícias são os sinais que Marcos Leonardo está a dar, e o regresso de Neres. Jogou só um minuto, mas é finalmente o regresso. Tão ansiado como o segundo golo, esta noite! 


 


 

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