
A expressão "preconceito ideológico" é usada para "chutar para canto" o contraditório em qualquer discussão. Atira-se com " isso é preconceito ideológico" e arruma-se com a questão.
A direita e a esquerda têm preconceitos, mas se forem ideológicos, aí, só há na esquerda. A direita, e em particular a direita liberal, rejeita "preconceitos ideológicos", e consegue até fazer do "preconceito ideológico" uma espécie de pára-raios, onde acaba por se espetar tudo o que contrarie as suas teses.
Era assim até ver escrito, na última edição do "Expresso", pelo seu director, que em Portugal não há investidores [capazes de deitar mãos à TAP] porque ... "décadas e décadas de impregnação na política de teorias bacocas da esquerda anticapital ajudaram a diabolizar o empresário português e nunca permitiram a criação de uma classe empresarial forte e com capacidade de investir no que de melhor temos".
Confirmando no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o preconceito é uma ideia ou conceito formado antecipadamente, e sem fundamento sério ou imparcial. Mas também é uma opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos. Ou, ainda, crença em coisas fantásticas, sem relação racional entre causa e efeito.
E o preconceito ideológico da direita, em que os trabalhadores são "colaboradores", despedimentos são "reestruturações" e a palavra nacionalização é tabu?
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