
A quatro escassos dias das eleições do próximo domingo, e sem se saber bem se pela própria dinâmica da campanha, ou se pelo efeito da acusação do Ministério Público no processo Tancos - muito provavelmente pelo efeito combinado de ambas - os dados revelados pelas sondagens apontam para respostas claras às principais questões que se levantavam para estas legislativas.
A primeira dessas respostas é a definitiva impossibilidade de uma maioria absoluta. A segunda é que o PSD mantém o seu espaço de afirmação eleitoral, e que o anúncio da morte política de Rui Rio era claramente exagerado. E a terceira, muito em consequência da segunda, é certo, é a negação da hecatombe da direita que, mesmo sem qualquer hipótese de ser maioritária, está longe da humilhação que se chegou a anunciar. Provavelmente nem baixará da votação há quatro anos, e só não conseguirá manter os mesmos resultados porque os votos estarão agora distribuídos por mais três forças políticas.
Neste quadro podem começar-se a traçar os cenários para o dia a seguir ao das eleições. E pode começar por dizer-se que todos aqueles em que António Costa apostou as fichas são impossíveis ou improváveis: a maioria absoluta, é impossível; e uma simpática maioria com o apoio do PAN é muito improvável. A terceira da linha de prioridades de Costa, não era aposta, era pura ilusão. Admitir a possibilidade de uma maioria com o PCP é um erro que não abona a sagacidade política de António Costa. Nunca o PCP entrará sozinho em qualquer cenário de governação, deixando o Bloco de fora, a capitalizar o descontentamento e a ocupar-lhe - ainda mais - o seu espaço. Custa a perceber como poderia António Costa não ter isto por claro!
António Costa deveria ainda ter percebido que a geringonça não é facilmente replicável, e por isso deveria ter sido mais prudente nas apostas. Preferiu arriscar e foi traído pela soberba. Pela soberba da maioria absoluta, e pela soberba de menosprezar Rio e o PSD, elegendo o Bloco como adversário principal para esta disputa eleitoral.
As expectativas que agora se levantam vão prender-se com questões de memória. Pode ser que ainda no próximo domingo comecemos a ver quem tem memória curta. Ou - quem sabe? - capacidade de perdoar!
Não haverá muita alteração nas políticas, mas a pouca alteração será decisiva - resta saber com quem será feita. E como remará Rio nas marés da Assembleia.
ResponderEliminarRelembro ter o Bloco falado em ministérios, qual Podemos... recuará? E Costa, preferirá dar ministérios à esquerda ou à direita?
O PCP não quer governar, e não me parece querer apoiar governos de coligações não sufragadas.
Domingo merece intervalos de Benny Hill e Paul Hogan Show - é que teremos umas eleições à moda antiga!
Eu quero ver é a saída para os empecilhos.
ResponderEliminarDepende de quem serão os bispos e os cavaleiros :))
ResponderEliminarOs mesmos, certamente...
ResponderEliminarNos anos 70/80 ficava a noite toda acordada com a minha família, todos atentos aos resultados que caíam durante horas, as gargalhadas pelo meio.
ResponderEliminarDomingo os resultados cairão rapidamente - mas desconfio que ainda teremos uma longa noite até ao fumo branco.