quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Apelos ao voto*

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Chega hoje ao fim a campanha eleitoral. Amanhã é feriado, e dia de reflexão para os eleitores, todos nós. Não se percebe bem para que serve, nem que falta faz… mas está assim instituído.


E no domingo vamos votar. Alguns. Sabemos que muitos não vão. Uns por comodismo, outros por desinteresse e outros ainda porque desistiram… Uns porque não querem saber, tanto se lhes dá, outros porque acham que não vale a pena, que não muda nada. Uns que não se deixam encantar, e outros que se desencantaram…


Daí que estes sejam dias de apelo à participação eleitoral dos portugueses.


Votar – é um cliché, mas é assim - é um direito e um dever. Um direito que a nenhum cidadão pode ser negado, e um dever que nenhum cidadão deve negligenciar. Apenas isso. Sou contra o voto obrigatório. Por princípio, mas acima de tudo pela sua (im)praticabilidade.


O incumprimento legal tem, por definição, que ser sancionado. A lei tem que definir a sanção pelo seu incumprimento. A partir daqui imagine-se o que por aí viria … Deixo apenas à imaginação de cada um …


Não há por isso volta a dar, e os que não sentem a responsabilidade do voto não se vão aproximar das urnas. Por mais apelos, mais ou menos bacocos, que lhes dirijam, não vão!


Claro que é sempre conveniente lembrar a todos os que decidiram não votar, e aos que nem isso decidiram, porque mesmo essa decisão já seria uma maçada, que milhares de compatriotas lutaram décadas a fio por eleições livres. Que muitos deles morreram sem nunca poder chegar a votar. Que a democracia também é sua responsabilidade. E que não votar não significa estar contra nada, significa apenas não fazer nada contra tudo.


Mas, simplesmente votar, não resolve grande coisa. Não é por se deslocar à Assembleia de Voto e deixar uma cruz num quadrado qualquer, que alguém resolve o que quer que seja. Isso apenas baixaria a abstenção e deixaria porventura o ego do regime mais composto. Era batota. É preciso que o voto seja uma expressão informada e consciente de cidadania.


Por isso, se nada fizermos no domínio da educação cívica que acrescente cidadania às pessoas, o apelo ao voto dificilmente deixará de ser mais um gesto demagógico, idêntico a tantos outros de que estamos em grande parte fartos.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

4 comentários:

  1. É isso mesmo... Um dia alguém disse que o problema de Portugal não era o comunismo mas sim o comodismo, agora a este junta - se a indiferença.

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  2. Quem acha que Portugal é comunista precisa de ser internado urgentemente.

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  3. Penso que o voto não deve ser obrigatório. Penso que é um direito mas não é um dever. Há pessoas que acham que não se deve ir pelo voto ou pelo menos por este tipo de voto. Vamos obrigado-las a votar se elas acham que não devem?

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  4. Concordo, como expressei, que o voto não deve ser obrigatório, e que é um direito. Discordo, como igualmente expressei, que não seja um dever. Mas há muitos deveres que não são obrigatórios, porque há sempre uma margem de liberdade a respeitar.O meu ponto de vista é que cabe à cidadania tornar deveres em obrigação.

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