domingo, 13 de março de 2011

À RASCA MAS DIGNOS

 


Por Eduardo Louro


 


Não sei se foram 200 ou 300 mil os portugueses de todas as idades que ontem deram voz ao protesto e à indignação que atravessa o país de lés a lés. Não me importa quantos foram porque eu vi lá todo o meu país!


E gostei do que vi. Gostei deste meu país que lá vi, bem diferente de outros países que tenho visto por esse mundo fora! Bem diferente do que vi na Grécia, ou do que vi em França…


O que é que vi?


Vi uma enorme multidão ordeira, que não provocou sequer um leve desacato…


Vi uma multidão pacífica, que nem um vidro partiu. Nada!


Vi as portas fecharem-se ao aproveitamento partidário.


Vi uma só bandeira, a bandeira nacional… e ouvi cantar o hino como há muito não ouvia!


E vi ali dignidade…


Bastou-me ver isto. O resto, agora, não me interessa nada!


 


 


 

6 comentários:

  1. O que eu vi

    Vi uma manifestação de civismo e de cidadania
    Vi a indignação e o cansaço a dizerem basta
    Vi a réplica da “indiferença activa” manifestada na forte abstenção das últimas eleições presidenciais
    Vi a contestação à mediocridade, à delapidação da social-democracia e do socialismo, à delapidação de recursos e de valores
    Recordei o movimento da Primavera de Praga (1968) na Checoslováquia, exigindo um “socialismo com face humana”
    Vi que as pessoas se cansaram e não querem mais a política feita pelo marketing e pelo populismo, em vez da verdade e da visão de futuro
    Vi que as pessoas querem uma democracia sadia, sem especulação, sem corrupção, sem o banditismo financeiro de salva a banca e não salva as pessoas.
    Vi o renascer da esperança, porque as pessoas deste país não estão adormecidas e fizeram alguma coisa
    "O mundo é um lugar perigoso; não somente por aqueles que fazem o mal, mas também pelos que olham e não fazem nada." Albert Einstein

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    1. Gostei muito do que viu.
      Um abraço!

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    2. E eu vi o 25 de Abril e também vi a Revolução de Veludo.

      Pena que se esqueça o 25 de Abril !

      E se exemplo há duma revolução ordeira num país onde a taxa de anafalbetismo ( contrariarmente à Checoslováquia ) era enorme, dum mundo em plena guerra fria, é o 25 de Abril.

      Nuno

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    3. É verdade Nuno. A nossa revolução de 25 de Abril tem uma dimensão mítica inigualável. O mais puro romantismo em plena guerra fria. Cravos a sair das espingardas... coisa única e irrepetível!

      Um abraço Nuno.

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    4. Agradeço a observação.
      Se senti, à distância, movimentos libertadores como os da Checoslováquia, Primavera de Praga (1968) ou Revolução de Veludo (1989), entre outros e em outros locais, naturalmente que seria absurdo esquecer o 25 de Abril, pelo facto do ter vivido mais intensamente e mais de perto.
      Referi a “Primavera de Praga”, recordando as reformas tentadas por Dubcek e outros intelectuais Checoslovacos, para criar um “socialismo com face humana”. Felizmente que, no nosso caso, não é a libertação do socialismo stalinista, mas do socialismo dependente de uma economia sem ética, dependente de uma oligo-partidarização, da falta de cultura do mérito nas organizações e administrações do estado, etc. etc. etc.
      É minha convicção que falta dimensão humana neste socialismo e falta o respeito dos governantes pelos governados

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    5. Agradeço a observação.
      Se senti, à distância, movimentos libertadores como os da Checoslováquia, Primavera de Praga (1968) ou Revolução de Veludo (1989), entre outros e em outros locais, naturalmente que seria absurdo esquecer o 25 de Abril, pelo facto do ter vivido mais intensamente e mais de perto.
      Referi a “Primavera de Praga”, recordando as reformas tentadas por Dubcek e outros intelectuais Checoslovacos, para criar um “socialismo com face humana”. Felizmente que, no nosso caso, não é a libertação do socialismo stalinista , mas do socialismo dependente de uma economia sem ética, dependente de uma oligo-partidarização , da falta de cultura do mérito nas organizações e administrações do estado, etc. etc. etc.
      É minha convicção que falta dimensão humana neste socialismo e falta o respeito dos governantes pelos governados.

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