segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Mas...

 


Resultado de imagem para manifestações ele não


 


As elites da direita portuguesa politicamente correcta assumem-se sempre muito democráticas. Demarcam-se de Trump, de Orban ou de Matteo Salvini ... mas ... sempre com um "mas". 


Eles são nacionalistas.. ...mas a economia cresce. Eles são xenófobos ... mas o desemprego desce. Eles são racistas ... mas também não se pode abrir as portas a toda a gente. Ou, normalmente por fim, na última das últimas alegações, eles até poderão nem ser flores que se cheirem ... mas foram eleitos democraticamente. 


Sabemos que é assim, vemos coisas destas todos os dias. Mas... o mais refinado dos "mas" surgiu agora com Bolsonaro.


Como lhes fica difícil (permitam-me este apropriado toque brasileiro) defender a criatura, atacam-lhe o ataque. Então transformam as gigantescas manifestações deste fim-de-semana do "ele não" num erro estratégico, nem que, para isso, tenham de recorrer a raciocínios "non sense" e a comparações espatafúrdias. 


Não há volta a dar. O "mas" está-lhes na massa do sangue!

6 comentários:

  1. Excelente artigo.
    Tenho apenas a acrescentar que o baixo desemprego nos Estados Unidos se deve às políticas da administração Obama que fez o que pôde para limpar a porcaria (só para não lhe chamar outra coisa) da administração Bush. Mas é claro que, para os apoiantes do Trump (o que inclui a escumalha do "mas") esse facto é para varrer debaixo do tapete.
    A direitalha que tanto critica os Antifa, o #MeToo, o #EleNão e restantes movimentos à esquerda do centro tem um longo historial de permitirem que o fascismo cresça. Foi o que aconteceu na Alemanha quando o "partido do centro" (chamava-se mesmo assim) se aliou a Hitler ou quando as "democracias" capitalistas nada fizeram para ajudar o governo espanhol democraticamente eleito a combater os franquistas que por sua vez tinham o apoio de Hitler e Mussolini.
    A direita "moderada" que não venha querer dar lições à esquerda sobre como combater o fascismo porque quando o fascismo aparece a direita "moderada" é a primeira a apoiá-lo.

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    1. É isso. É esse "mas" complacente que abre os caminhos que a História condenou, mas que não se cansa de repetir.

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    2. Penso que o "mas" é consequência, não causa.
      Consequência da falta de ideias, de alternativas, de coluna.

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    3. Bem, ao contrário dos EUA no Brasil há montes de partidos. Não é difícil as pessoas encontrarem um com o qual se identifiquem. No meu caso identifico-me com o PSOL.
      E qualquer alternativa ao fascismo é uma alternativa. Há uma grande diferença entre um democrata imperfeito e um fascista (ao qual chamar imperfeito seria um eufemismo). Por muito que eu não simpatize com Clintons, Macrons ou Merkels, se a alternativa ao fascismo for votar neles, terei que engolir um sapo (nas palavras de Álvaro Cunhal) e votar neles. A sobrevivência é mais importante que a pureza ideológica. Ou como os franceses diriam, "Votez escroc, pas facho".
      Já a escumalha do "mas", se tiver que optar pela impureza ideológica, vai optar pelo fascismo e não pela democracia. Não são nossos aliados.

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    4. Há a Direita sensata. Quero dizer, conheço alguns, quero crer que os não conheço a todos...

      E isto apenas para corrigir a generalização. "Quase todos", talvez, "todos" não. :)

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    5. Esses "mas" são consequência dessas faltas, especialmente da de coluna. Mas acabam sempre pela "causa"!

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